Sociedade Brasileira de Eubiose

A esperaça da colheita reside na semente

A Eubiose

A palavra Eubiose é formada dos elementos eu e bios.

Eu, segundo Caldas Aulete e também no sentido filosófico, é a individualidade metafísica de uma pessoa; a alma com consciência de si mesma, ou considerada simultaneamente como sujeito e objeto do pensamento. Não obstante a contínua mudança do indivíduo físico subsiste sempre o mesmo eu. De formação latina, ego.

Eu, prefixo grego que significa Bem, Bom, Belo, de formação grega: eu (”bem”).

Bio, a vida; o estado de vivo; a ação de viver. É de formação grega: bios (”vida”).

Concluímos que a palavra eubiose tem o sentido de tudo aquilo que representa a vida, o estado vivo das idéias, a fim de manter sua consciência num estágio relativo a um método de vida bom, de bem e belo. É o eu vivendo em harmonia com um mundo harmônico, num ambiente nobre, elevado, em que todos possam viver no “nósismo”, senão, de acordo com a máxima: um por todos e todos por um.

Assim sendo, a Eubiose será um estado de ser e um método de vida, os quais levarão a Humanidade a viver no estado de vida ativa, dando expansão ao seu Eu Interior, com liberdade de pensar e de agir. Um estado de ser e um método de vida em que a humana criatura viva no bem, no bom e no belo. Isto é, no bem, somaticamente, no bom intelectualmente e no belo, artisticamente. Sem esse equilíbrio, a vida passa a ser, digamos, “cacobiótica”.

Vê-se, então que a Eubiose será sistema que permitirá à criatura humana aprimorar as estruturas física, psíquica e intelectual.

A alma humana – ou seja, a vida psíquica dos povos – merece ser cuidada e tratada com o máximo de respeito e de dignidade, para que possa dar bastante produtividade. Mas para isso é necessário que as pessoas sejam ajustadas. Para não transformarem as idéias eubióticas em cacobióticas, como está acontecendo.

Pelo exposto foi que o maior de todos os homens, o maior de todos os Iniciados, começou a lançar no mundo, através de seus discípulos mais chegados, um método de Eubiose, para ser difundido universalmente através dos tempos, e penetrado e sendo aplicado em todos e por todos os setores da atividade humana. O físico age; movimenta-se, porém, com o dinamismo da alma. Eis a razão porque os desajustados psiquicamente produzem pouco e atrapalham muito o curso da vida dos ajustados.

Já dizia, no século IX, o grande Filósofo Emerson, fundador do Transcendentalismo:

A alma humana é superior a tudo quanto se possa suspeitar dela, e é mais sábia para engrandecer quaisquer de suas obras.

A corrupção do homem vai em seguida à corrupção da linguagem e, quando a singeleza de caráter e o domínio das idéias são destruídos por um predomínio de desejos secundários – o do prazer, o do poder, riqueza e glórias -, a falsidade e a hipocrisia ocupam o lugar da simplicidade e da verdade; o poder da Natureza se perde até o último grau; a nova imagem cessa de criar-se, as antigas palavras se pervertem ao tomá-las por causas que não são. O papel-moeda se emprega quando não há ouro em custódia. Mas ao seu devido tempo, a fraude se evidencia e as palavras perdem todo o poder de estimular o entendimento ou os afetos. Podem encontrar uma centena de escritores em todos os países civilizados, que por curto espaço de tempo crêem e fazem crer aos outros que vêm e anunciam a verdade, alimentando-se conscientemente, sem dúvida, da linguagem criada pelos principais escritores de seu país. A saber, os que primitivamente se apoiaram na Natureza.

Não há um feito, não há um acontecimento de nossa existência que mais tarde ou mais cedo não deva perder a sua forma inerte e assombrar-nos ao tomar seu véu, desde o fundo do nosso corpo empíreo.

São viventes desculpas de não serem homens; humilham-se, desculpam-se com prolixos raciocínios, e acumulam aparências, porque lhes falta substância.

Vê-se então que, conforme já o pressentia o filósofo, a idéia de nossa eubiose será combatida. Porque há falta de substância intelectual, filosófica e cultural para compreendê-la e aplicá-la na vida prática, dizemos nós.

Destarte, há necessidade de dedicar-se à Cultura, à Arte, ao método da pesquisa, isto é, filosofar. Logo, procurarmos adquirir substância para podermos então transmitir esta ciência do futuro, como mais um capítulo da Ciência das Idades. Em caso contrário seremos “cacobióticos”, acumulando apenas aparências. E isto porque nos faltarão substância e a inteligência do novo ciclo avatárico.

Assim não vivendo, mas ao contrário, cacobioticamente, seremos os primeiros responsáveis pela aplicação fatal que lhe caberá injustamente, da máxima de Lombroso, segundo a qual:

Durante a vida não só é negada a fama aos homens de gênio, mas negam-lhes até os meios de subsistência. Depois da morte, recebem monumentos e retórica, à guisa de compensação.

Segundo ainda nosso Mestre, o eminente Professor Henrique José de Souza:

A Eubiose é a Ciência da Vida. E como tal, é aquela que ensina os meios de se viver em harmonia com as Leis Universais, das quais os primeiros se derivam. Pelo que se vê, nenhuma diferença existe entre a Eubiose e a Teosofia, no sentido real da palavra, porque esta, como Ciência ou Sabedoria Divina, se propõe à mesma coisa, como tronco donde se originam as ciências, artes, religiões, filosofias, línguas e tudo mais quanto já existe ou há de existir no mundo. Desse modo, não apenas os Adeptos da Boa Lei, mas também todos os Iluminados que a este mundo vieram, pautaram sua vida eubioticamente, ensinando aos demais a que agissem do mesmo modo, e isto, de acordo com a evolução natural da época dos seus vários aparecimentos.

Conclui-se, de todo o exposto, que a Eubiose é um plano de evolução de âmbito geral, conforme continuaremos a esclarecer adiante. Antes, porém, é bom que se saiba: trata-se - podemos afirmá-lo – de um neologismo. Termo novo, que foi criado como resultado de troca de idéias entre o nosso Mestre e um dos seus preclaros amigos, o sábio Dr. Maurus.

Eubiótica é o que apenas registram os dicionários, como o de Jaime Seguier, com a significação de arte de bem viver. Mesmo assim, por aí se vê que não se distanciam um mínimo, mesmo, da verdade. Questão é, pois, de interpretação: arte de bem viver.

Continuemos então.

O termo em tela foi criado com o intuito de ligar a idéia de vida, de trabalho, à noção íntima da lei natural, isto é, de preparar os homens para se tornarem colaboradores conscientes da lei (Lei Divina, Natureza, Princípio Universal etc.), para viverem integrados com as forças cósmicas.

Desde que o ser humano esteja integrado conscientemente no todo, no plano único da evolução, terá que agir em todos os planos de sua atividade do mesmo modo, ou seja, conscientemente. De maneira que os efeitos de suas ações sejam harmônicos e felizes. Ações de repercussões harmoniosas e felizes, repetimos, por outras palavras, para que fique bem gravado este ponto ou aspecto básico dessa Filosofia – o qual, por isso mesmo, é de suma importância. Toda ação que não for capaz de suscitar saúde, tranquilidade, prazer, paz, enfim, felicidade para os outros homens, é uma manifestação contrária àquela Lei. Provoca, na indescritível mas sensível e justa “incomensurável corrente cósmica”, uma reação igual e contrária. Conseqüentemente acarreta sofrimentos, não só para o agente, como também para o paciente. Sofre o autor, o elaborador da ação e sofre igualmente outrem. Quando não sofrem outras partes.

Isto porque o Homem, na verdade, digamos em síntese, é a Alma, o aspecto dinâmico, a representação nos planos do sentimento, da Inteligência e do Poder, de um Princípio Universal que ele nem sequer rara e palidamente vislumbra. Princípio Universal ou Único, Vida Una, eis como a respeito se referem os Iniciados.

Quando o nosso supremo dirigente classificou sua missão de Eubiose, cuja aplicação ou desenvolvimento deveria ser feito através da Escola, do Teatro e do Templo, deixava entrever que seu plano de evolução deveria também ser realizado tendo por base o seguinte método:

(1) Desenvolvimento da Inteligência, agindo na ou sob a Escola, dedicando-se à Instituição, à Cultura sob todos os pontos de vista.

(2)   Desenvolvimento, aprimoramento da emoção, do corpo afetivo-emocional, através do Teatro, da educação teatralizada.

(3)   Desenvolvimento da Vontade, do impulso interior, através do trabalho no Templo, com o intuito de alcançar pela meditação em coisas superiores (e não em mística devocional) um plano superior da mente. No mundo, criando pela imaginação e pelo raciocínio, uma série de artifícios ou escandas, (tendências positivas) a fim de comungar com a Vida Una.

Por outras palavras: trabalho de natureza científica empreendido nos laboratórios; em pesquisas pelo mundo cientifico, enfim, trabalho de teatralização de tudo que mereça ser aplicado para proveito próprio ou alheio. Teatralização metodizada, fazendo-se sentir em todos os pensamentos, palavras e atos da vida diária. Trabalho de natureza espiritual, subjetiva, no Templo, visando  despertar em si o princípio correspondente, ou seja, o EGO, a Luz que deve, como um farol permanente, guiar-nos pelo mundo afora em todos os instantes.

A Eubiose, na sua plenitude, representa a Vida Universal manifestada no aspecto somático, dando assim à criatura humana o equilíbrio, a segurança, a coragem, o interesse pela aquisição da Consciência Unitária pela conquista dos estágios superiores. É a vitória da Humanidade pelo reconhecimento dos valores e da sabedoria do Avatara. É a vitória da Humanidade pela avatarização, ou seja, pela vivência de conformidade com a Vida Cósmica, pela vivência do Amor Universal. Amor Universal no sentido de realização, de iniciativa, de conquista do perfeito equilíbrio entre as estruturas emocional, intelectual e espiritual. E, de acordo com o nosso Mestre, o Professor Henrique José de Souza, seria a aquisição do equilíbrio pelo esforço de transformar-se, de superar-se e, finalmente, de atingir a Metástase.

Metástase no sentido de o Eu, o Tu e o AVATARA se transformarem no nós somos a Divindade manifestada na multiplicidade. Sim, na multiplicidade qualitativa e agindo através do equilíbrio ou da temperança e da iniciativa.

Temperança quer dizer a qualidade ou virtude de quem é moderado, de quem modera os apetites, as paixões. De quem age na vida com parcimônia e sobriedade. Logo, em equilíbrio. Pois bem, o sentido de temperança é uma exaltação aos valores da personalidade. Há de se atentar, porém, nesse trabalho, que deve ser considerado e vivido, digamos apenas como ponte ou estágio para aquela individualidade fundida ou sintética: o nós contendo o eu, o tu e o avatara. Em outras palavras: a personalidade readquirindo sua individualidade. Está o Avatara, sendo como é, o eu e o tu, porém, o Eu mais o Tu, igual a Nós.

Conclusões

(1)   Avatara igual a Nós.

(2) Uma linha de conduta, uma diretriz baseada num verdadeiro código de ética (e somente isso) é que pode e deve nos conduzir ao completo equilíbrio de atitudes, senão à Iluminação.

Iniciativa tem o sentido de atividade, diligência. É a manifestação do aspecto positivo da Vontade de Deus, do Eterno, do Supremo Arquiteto. Representa, na criatura humana, o índice de potencial da Divindade, manifestada na multiplicidade de formas. É o uno no todo. Daí a idéia do “nósismo” de Fritz Kunkell, e a máxima bastante expressiva: um por todos e todos por um.

A Semente da Divindade, latente, como embrião na criatura humana é o potencial idealístico desta, e apresenta-se, faz sua eclosão como iniciativa. Havendo falta de iniciativa, há, conseqüentemente, a depressão psíquica, a imobilidade da alma. É o mesmo que dizermos: a alma quer agir, mas falta-lhe o órgão locomotor, posto que o órgão locomotor da Divindade, na criatura humana, é a iniciativa. Ter iniciativa, ser pessoa de iniciativa é ter disposição natural, ter ânimo pronto e enérgico para, desse modo, conceber, elaborar, agir, executar, antes de tudo e em qualquer circunstância, sem esperar que outras o façam. É, em suma, ser homem de ação, de expediente, de recursos próprios. Auto-suficiente, tanto quanto possível, Isto é, esforçar-se por sê-lo, já que total ou completamente ainda não o somos. Ter iniciativa, finalmente é ter coragem, disposição para ser iniciado na Eubiose.

ADVENIAT REGNUN TUUM

* Sebastião Vieira Vidal. in: Série Cultural, aula n. 5.


Um Comentário
  1. Parabéns pela nova pagina, e pela iniciativa.
    É muito importante que tenham sempre pessoas dedicadas a divulgar promover informação de qualidade, em beneficio da evolução da humanidade.

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