Sociedade Brasileira de Eubiose
A esperaça da colheita reside na semente
A mulher em face do mundo atual
Diante dos fatos que se desenrolam no mundo – como incompreensão, crueldade, desamor, inconsciência -, com todas as suas nefastas conseqüências, meu coração de mãe se sente angustiado, principalmente quando vejo crianças inocentes envolvidas por essa nuvem negra que, na sua faina destruidora, procura toldar o que de bom ainda existe nos corações puros da infância e da juventude. Haverá solução para tão graves problemas? Muito se tem falado e de todos os cantos da Terra surgem apelos para se debelar tão grande mal, mas, até hoje, os resultados tem sido quase nulos. E a pergunta continua na minha mente: o que fazer? Como evitar que o mal cresça? Esta preocupação certamente não será só minha, mas de todas as mulheres, quer sejam mães, quer sejam educadoras. E a resposta se faz clara: só a mulher – através da sua bondade, paciência, perseverança, abnegação e renúncia – poderá contribuir, em grande parte, para sanar esse problema angustioso para todos quantos ainda têm o senso de responsabilidade.
Grande e imenso mesmo é o papel das mulheres como coletividade humana no momento presente. Pela sua própria condição biológica, é dever imperioso da mulher auxiliar seus filhos, esposo e irmãos a perceber a tragédia que ameaça os seres humanos e as diversas formas de vida de nosso planeta.
O extraordinário avanço das ciências físicas e das técnicas, sem o correspondente aperfeiçoamento e realização no campo das ciências sociais e psicológicas, e o abuso, inclusive, das experiências nucleares, prejudicam as gerações atuais e vindouras, sem falar nas disfarçadas tentativas de congraçamento e confraternização de grupos filosóficos, religiosos e políticos, impondo, em detrimento da verdade ou das reais necessidades dos povos, o sinete da escravidão espiritual e física.
Tudo isso, não resta dúvida, é o entrechoque de conceitos e instituições de uma civilização decadente que agoniza, com uma nova civilização que já é percebida pelos mais esclarecidos. Estamos presenciando, com toda a sua rudeza, as profecias bíblicas. Os quatro Cavaleiros do Apocalipse – Domínio, Guerra, Peste e Fome – soltaram as rédeas de suas montarias e exercem sua tarefa diabólica de destruição. Cabe a nós, mulheres do mundo inteiro, e particularmente do Brasil, por ser o berço da nova civilização apregoada por nomes de escol, entre eles o sociólogo mexicano José Vasconcelos, quando afirmou que “é dentre as bacias do Amazonas e do Prata que sairá a raça cósmica, destinada a realizar a concórdia universal, porque será filha das dores e das esperanças de toda a Humanidade”. Civilização esta pela qual trabalha, há longos 57 anos [N.E.: hoje são aproximadamente 90 anos], a Sociedade Brasileira de Eubiose… repito, cabe a nós, mulheres, passar por cima das pedras que são sem dúvida o karma da Humanidade. Amassemo-las com a nossa sabedoria e a arma de nossos corações.
É cabível que nós, mulheres, como geradoras de vidas, assistamos de braços cruzados ao descalabro que vai pelo mundo? A mulher jamais poderá ser auxiliar de desgraças e infelicidades. Cabe, portanto, à mulher a tarefa importante e sublime de fazer com que a vida humana tenha um processo contínuo, desenvolvendo-se progressivamente em busca da perfeição. De nossos lares saem os homens de hoje e os homens de amanhã. Com as nossas armas de renúncia e de amor, inspiremos nossos filhos, irmãos e esposos, fazendo-os sentir a inutilidade da destruição, que parte da desarmonia do indivíduo, da família e da sociedade, despertando em seus corações o desejo de servir à causa da verdadeira fraternidade, de onde derivam a liberdade e a igualdade; façamos com que eles pesquisem os fundamentos dos males existentes para descobrirem os remédios necessários ao equilíbrio entre a construção e a destruição.
Usando nossa inteligência e nosso amor, transformaremos as incertezas atuais e a angústia, que assolam a Humanidade, na firme convicção de um mundo melhor, onde o Bem, o Bom e o Belo sejam uma realidade e não apenas palavras a emoldurar frases de estilo.
Trabalhemos, de corpo e alma, para que a felicidade, presente e futura, norteie sempre a nossa vida, em busca de um mundo melhor, onde reine a paz, a justiça, a compreensão, o respeito e o verdadeiro amor que a tudo e a todos une.
Tenhamos sempre em mente que não há fatalismos inexoráveis. Usando nosso livre-arbítrio com sabedoria poderemos alterar o rumo de nossos destinos, modificando o karma, desmentindo, assim, a inflexibilidade do cego determinismo… desde que tenhamos “olhos de ver e ouvidos de ouvir”.
Não nos esqueçamos de que, quando agimos com o firme propósito de praticar o bem, jamais somos desamparados. Dizia meu inesquecível esposo e companheiro de Missão, Henrique José de Sousa:
A Fraternidade Branca (os seres que se libertaram das paixões humanas e que vivem, digamos, num plano superior ao dos homens vulgares), ampara, inspira e guia a ‘grande órfã’ – a Humanidade, sem embargo de deixá-la responsável pelos próprios passos na livre escolha dos caminhos; apta a redimir-se por si mesma, por suas sofridas experiências, a superar-se pela conquista gradativa do real conhecimento da verdade.
Sem ferir a Lei sagrada e inviolável a que estamos submetidos, ou seja, a Lei de Causa e Efeito, ação e reação kármicas, procedamos sempre no sentido de dar aos que nos cercam a noção de responsabilidade, sem a qual não haverá evolução. Evolução implica equilíbrio, em neutralizar o bem e o mal, como duas forças que lutam dentro de nós, para que desse equilíbrio surja uma terceira força, a do Amor Universal.
Se pautarmos nossa vida dentro desses preceitos, poderemos, com nosso exemplo, modificar o rumo atual dos acontecimentos que avassalam o mundo neste fim de ciclo apodrecido e gasto.
Jamais esqueçamos de que é no recesso de nossos lares e de nossas salas de aula que é moldado o homem de amanhã. À mulher cabe o dever da formação moral e intelectual da infância e da adolescência, que não deverão ser desviadas do caminho que as conduza ao aperfeiçoamento evolucional, para que, como conseqüência, o mundo se transforme e a paz volte a reinar na face da Terra, apoiada nos sãos princípios do Amor, da Verdade e da Justiça.
* Helena Jefferson de Souza (1906-2000) é fundadora da Sociedade Brasileira de Eubiose. O artigo acima foi originalmente escrito em agosto de 1978.
Em 7 de setembro de 2009 às 11:52 am, Carmem disse:
Justamente essas denominações: NEGRA e BRANCA demonstram a crença da sbe em superioridade de uma cor sobre outra, atribuindo-lhes o o mal e o bem, entre outras coisas, me tiraram da Eubiose.
(link para este comentário)Em 14 de setembro de 2009 às 11:35 am, admin disse:
Olá, Carmem,
As denominações a que você se refere não dizem respeito a raças (ou à ideia pré-concebida de raças de acordo com a cor da pele que usualmente vemos divulgadas). Uma nuvem negra é negra porque indica chuva, e a Fraternidade Branca é branca porque indica luz. Os termos são consagrados pela literatura ocultista de modo geral, e não são exclusividade da Sociedade Brasileira de Eubiose.
Uma das grandes distinções entre a Sociedade Brasileira de Eubiose e alguns ensinamentos de correntes teosófico-espiritualistas de outra natureza, inclusive, são as que apontam na direção do entendimento de Raças não de acordo com as características fenotípicas mas de acordo com as características mentais e de estado de consciência. Pouco importa se uma pessoa é negra, descendente de raças africanas, ou se é amarela, descendente de raças orientais, ou se é branca, caucasiana. A verdadeira Raça, à qual nos referimos, sempre aponta na direção do estado de consciência de cada uma dessas pessoas.
Pelo seu comentário, agradecemos a oportunidade de detalharmos brevemente esta questão e a convidamos a um aprofundamento maior e mais denso sobre o ponto de vista eubiótico.
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