Sociedade Brasileira de Eubiose

A esperaça da colheita reside na semente

O que é Eubiose?

O que é Eubiose? O fundador de nossa Instituição, o Professor Henrique José de Souza, dá-nos a seguinte definição:

Eubiose é a Ciência da Vida. Sua finalidade, em última análise, é a readaptação do Homem ao meio cósmico.

Por esta definição, pode-se ver que se trata de uma ciência extremamente complexa. Para compreendê-la, necessário se faz adotar uma metodologia adequada, que permita ao discípulo alcançar, por si mesmo, sua conceituação. Tal método é usualmente denominado de “método das aproximações”. Por meio dele o estudante se “aproxima” gradualmente da ideia central que sintetiza a ciência.

Comecemos, então, pelo exame da palavra Eubiose que, como vemos, é formada pelo prefixo “eu” e pelo sufixo “bios”. O prefixo “eu” pode ser tomado, literalmente, como referente a “si mesmo”, “individual”, “próprio” etc.; e o sufixo “bios” como referente a “vida”. Neste caso, temos uma primeira aproximação, em que Eubiose significa “vida do Eu”. Por outro lado, o prefixo “eu” significa também “harmônico”, como aparece em palavras como “eufônico” (som agradável, harmônico), em oposição a “cacofônico” (som desagradável, desarmônico). Assim, temos outra aproximação e podemos definir Eubiose como “Vida Harmônica”. Veremos, depois, que as duas definições se equivalem, do ponto de vista prático, já que aquele que possui seu Eu Interior vivendo, expressa harmonia em sua vida objetiva.

Nestas condições, seguindo-se o mesmo método, passaremos a estudar o ser humano, do ponto de vista da Eubiose. Segundo os ensinamentos eubióticos, o Homem é constituído de três naturezas ou corpos distintos, embora interpenetrados e interatuantes, que são:

1) Corpo Espiritual – Inteligência

2) Corpo Psíquico – Emoção

3) Corpo Físico – Estrutura

Corpo Físico – Tendo em vista a classificação acima, passaremos a estudar as três naturezas do Homem, a partir do seu aspecto estrutural. Para tanto, cabe uma referência especial a uma lei que rege a todos os seres viventes e que, portanto, é universal. Trata-se da “Lei do Crescimento”. Tudo o que vive no Universo tem que passar pelo processo do crescimento. A ninguém é dado recusar o crescimento; não podemos obstá-lo em nosso corpo físico, pois, tal tentativa implicaria na nossa morte. Ora, o crescimento de nosso físico é praticamente automático; não depende de um esforço particular nosso para que cresça. Cabe-nos, apenas, fornecer ao organismo uma certa quantidade de alimentos e manter hábitos regulares de higiene. O resto, como se diz, “a natureza faz”.

Corpo Psíquico – O mesmo, entretanto, não ocorre com o nosso corpo psíquico, embora esteja sujeito à mesma Lei do Crescimento. Para que este crescimento se processe de forma saudável e sem deformações, é indispensável que o Homem exerça uma atividade especial, favorável. Compete ao ser humano se assenhorear de suas emoções. Para que isso seja possível, necessário se faz que cada um conheça o funcionamento de seu corpo psíquico, isto é, que estude a sua natureza psíquica. As Escolas Iniciáticas, em todos os tempos, exigiram sempre de seus discípulos, como condição preliminar para a Iniciação, o “Conhece-te a ti mesmo”. Esta exigência se explica por significar, o autoconhecimento, uma “ampliação” da consciência do discípulo, que é, assim, “enriquecida” pelos conteúdos que jazem na sombra de seu Inconsciente.

Convém aqui, fazer uma referência particular a uma expressão muito usada em psicologia, qual seja: “complexo autônomo”. Enquanto nós não logramos um razoável conhecimento de nosso corpo psíquico, enquanto não conseguimos um nível satisfatório no comando de nossas emoções, nós somos, com freqüência, “assaltados” por ondas de emoções, que nos inundam e que escapam totalmente ao nosso controle. Diz-se, então, que a pessoa não tem “controle” emocional. Os termos “controle” e “domínio” se referem, naturalmente, a uma certa capacidade de comando que o Homem consciente adquire. Na prática, entretanto, verifica-se que tais termos têm sua significação distorcida, por incompreensão. Quando se fala em domínio das emoções, muitos supõem que se trate de eliminá-las. Ora, isto seria um absurdo. Quem tem “domínio” sobre um veículo, não é aquele que o mantém parado ou trancado na garagem, mas sim, aquele que o conduz com segurança em qualquer velocidade. Portanto, controle ou domínio de emoções não é sinônimo de eliminação. A ideia é totalmente outra.

Nosso corpo emocional é um repositório fabuloso de energias necessárias ao homem, tanto para sua atividade, como para sua evolução. Estas energias precisam ser devidamente utilizadas para a produção de trabalho positivo. Podemos comparar as emoções humanas às grandes correntes d’água que guardam em si enormes quantidades de energias potencial, mas que para serem aproveitadas, exigem o esforço inteligente e racional do homem. Assim, enquanto não lograrmos conquistar nossas próprias energias, elas se mantêm em estado caótico, não respondem ao nosso comando. Por isso se fala em “complexo autônomo”. À medida que, pelo estudo e pelo esforço, nós vamos nos apoderando das nossas emoções, elas perdem, gradativamente, seu caráter “autônomo”, e passam a constituir aquele “lastro de força” tão necessário à nossa evolução.

Por outro lado, se o nosso Ego, como epicentro de nosso corpo emocional, desiste de proceder à coordenação dos processos psíquicos, ele é tragado pelo caos, então, reinante. Isto equivale a uma “morte psíquica”. Um exame atento da história das civilizações nos mostra que, muitas vezes, pessoas, grupos ou civilizações inteiras são tragados pelo caos emocional. Isto demonstra que os instrumentos criados pela própria civilização para assegurar o processo de crescimento psíquico dos povos têm se mostrado ineficientes. Isto se deve, em parte, à pouca atenção dada pelas pessoas e instituições aos problemas que não sejam, estritamente, de ordem material. Somente no início deste século surgiu, na ciência, uma tentativa racional de colaborar de maneira efetiva para a solução das questões ligadas à problemática existencial do Homem.

A moderna Psicologia constituiu-se num grande passo à frente, em relação aos recursos de que dispúnhamos anteriormente. Estes recursos se resumiam, praticamente, aos sistemas de filosofia, às religiões e alguns métodos de condicionamento educacional. O impacto provocado pela nova ciência motivou, sem dúvida, grandes contingentes humanos no sentido de despertar e agir em favor de seu próprio crescimento psíquico. Hoje, muitos já reconheceram esta necessidade de conquistar o “auto-conhecimento”, como meio de atingir a graus mais elevados de consciência.

Corpo Espiritual – A questão do crescimento e desenvolvimento do corpo espiritual não foi, ainda, bem compreendida pela maioria das pessoas. Por uma “deformação” educacional, nós nos acostumamos a associar o termo “espiritual” ao termo “religioso”. Outros associam “espiritualismo” com “espiritismo”. Em realidade, esta confusão advém do desconhecimento da própria natureza do Homem. Já vimos que o homem é constituído de três naturezas, três corpos, três aspectos. Cada um deles deve, necessariamente, crescer, segundo a lei geral do crescimento. Disto depende aquilo que se denomina a “realização” do Homem. Homem realizado é, portanto, aquele que completou o seu crescimento; o que adquiriu existência efetiva e consciente nos três planos constitutivos de seu ser, isto é, nos aspectos físico, psíquico e espiritual. Enquanto no aspecto psíquico crescimento era sinônimo de absorção pela consciência do mecanismo das emoções; no corpo espiritual o “processo” se caracteriza pela conquista da própria inteligência, pelo desabrochar do Eu Interior, que todos pressentimos, mas que a ele não temos livre acesso. Impõe-se, portanto, uma explicação. Do ponto de vista da Eubiose, “espiritual” quer dizer “inteligente”. Trata-se, pois, de desenvolver o aspecto inteligente do Homem, sua inteligência genial, criadora.

A comum confusão entre os termos “espiritual” e “religioso” tem sido responsável pelo fato de muitos se descuidarem do desenvolvimento do seu aspecto Genial, Inteligente. Como sabemos, as religiões se distinguem por constituírem corpo de doutrina de natureza moral. Referem-se, portanto, aos aspectos psicológicos do Homem, ao aspecto “comportamento”, e visam, pois, conseguir que o ser humano expresse em sua vida qualidades de “virtude”, “bondade” e “reta conduta”; que se preocupe, acima de tudo, com a realização do bem. O espiritismo, por seu lado, se dispõe a desenvolver, no homem, a receptividade psíquica, a par das qualidades morais já referidas quando abordamos o aspecto religião. As religiões e o espiritismo situam-se, portanto, naquela faixa que corresponde ao corpo psíquico, ao plano emocional. Não objetivam, portanto, o aspecto espiritual do Homem.

A Eubiose, como Ciência da Vida, buscando a integração do Homem à Vida Universal, concentra-se na aplicação dos meios essenciais ao desenvolvimento do aspecto superior do ser humano, o seu aspecto espiritual, inteligente, genial. Ao contrário das correntes animistas, a Eubiose proporciona ao Homem expressar positividade. O crescimento de seu corpo espiritual confere ao Homem a capacidade de autogoverno, isto é, o ser humano passa a ser governado, exclusivamente, por sua própria Inteligência, seu Eu Interior, o si mesmo.

A palavra “Homem” é constituída pelo radical men e provém do termo sânscrito manas, que significa “mental“. Por isso, o termo “Homem” significa: “portador do mental”. De mesma origem são os termos man (inglês) e mann (alemão). O homem se caracteriza, pois, por expressar o Poder Mental, Inteligente. Esta característica o distingue de todos os demais reinos da natureza. Este é o seu aspecto superior. O Homem de elevado “estado de consciência” é aquele que expressa a realidade de seu “Eu Interior”, do “Si Mesmo”. O Homem é um “Ser Mental que habita um corpo animal” e não um “animal melhorado”. Os animais não dispõem das possibilidades criadoras do homem, da capacidade reflexiva, nem de atingir a elevados graus de consciência. Todos nós possuímos uma consciência individual ou espiritual, em estado potencial. É necessário despertá-la e ligá-la ao nosso Ego. Por outras palavras: o Ego é o centro de nossa Personalidade e o Eu Interior, o Si Mesmo, é o centro de nossa Individualidade; para nossa “realização”, “individualização” ou “iluminação”, é necessário ligarmos o nosso Ego ao Si Mesmo. Quando isto ocorre, deixamos de ser “excêntricos” ou “alienados” (”afastados do real”) para nos tornarmos “unos”, “indivíduos” (não divididos). Daí, também, o termo Integração, para indicar a fusão de nosso aspecto parcial, personal, com a realidade interna una, indivisa, íntegra.

A característica da Consciência Espiritual no Homem é a capacidade de produzir Ideias brilhantes, Ideias luminosas. Por isso, se diz daquele que tem Ideias, que ele tem: presença de espírito. Trata-se, pois, de conquistar a “Presença de Espírito”, como estado permanente de ser. A esse respeito, disse o nosso Mestre, o Professor Henrique José de Souza, o seguinte:

No futuro, ninguém mais poderá dizer: eu tive uma Ideia, porque a Ideia será permanente.

Falam as tradições, com muita propriedade, que a “Ideia é Deus”. Para demonstrá-lo, vamos examinar as derivações da palavra que corresponde ao “Nome de Deus”, no idioma hebraico: IOD HE VAU HE. O desdobramento desta expressão é o seguinte:

IOD HE VAU HE

IODEVE

IEVE

IEOVAH

IOVE

IDEVA

DEVA

JOVEM

IDEIA

DEVS (DEUS)

Convém observar na derivação: I E V E, que se trata de um nome andrógino, isto é, masculino-feminino. Do elemento “I” derivam o I (inglês) e o Io (espanhol, italiano) e correspondem a Eu. Do elemento “EVE” deriva o nome da “mulher primordial”, do “princípio feminino universal” – EVA.

Certas tradições falam também em “Reino das Idéias” para designar o “ponto central”, o “fulcro” em torno do qual evolve o ser humano. A este Reino só alcançam aqueles que “deram nascimento” ao seu Eu Interior, ao Si Mesmo (da Psicologia Analítica de C.G. Jung) ou ao Cristo Interno de outras tradições etc. Há, pois, uma perfeita distinção entre o Ego, que nós bem conhecemos, e o Si Mesmo ou Eu Interior.

Todos temos uma consistente noção de que o Ego, nosso Eu externo, com o qual nos relacionamos com o mundo objetivo, não constitui a nossa individualidade mais íntima. Trata-se de uma experiência individual, muito particular. Resulta, como é natural, de um trabalho de auto-observação que nos conduz à certeza da duplicidade de Eus. Um Eu externo, o Ego, e outro interno, o Si Mesmo, do qual pouco sabemos, mas que é por nós “pressentido”. É este Eu Interior que deve desabrochar, exteriorizar-se, a fim de podermos expressar nossa realidade mais profunda.

Ao Si Mesmo ou Eu Interior correspondem muitas denominações, conforme a tradição de onde procedem. Assim, temos: “Centelha Divina”, “Reino dos Céus”, “O Pai”, e, segundo as escolas indianas, Jivatmã, enquanto que o Ego, o Eu externo, corresponde a denominação de Jiva. Assim, Jiva, é o ser que está adquirindo experiências, aquele que percorrer o caminho da evolução, o Édipo das lendas gregas, o peregrino da vida, que, passo a passo, prossegue na escalada rumo à sua própria Consciência Superior, o Eu Interno, que é Jivatmã. Todos nós, portanto, estamos envolvidos num processo de aquisição de experiências, de evolução, com vistas a promover a elevação de nosso “estado de consciência”. Partimos, pois, da condição de vida-energia (Jiva) para, finalmente, expressarmos vida-consciência, que é a essência de Jivatmã.

Como estamos estudando o aspecto espiritual do ser humano, convém, aqui, estabelecer uma distinção importante. Confunde-se, comumente, Inteligência com Intelecto. Ora, não são a mesma coisa. A Inteligência pode ser tomada como sinônimo de Ideia, ou seja, o aspecto superior do Homem, responsável pela produção de Ideias. Pode ser considerada a Visão (Luz) Superior do Homem, capaz de captar diretamente a Realidade.

O Intelecto, ao contrário, representa uma função especializada do Ego, responsável pela aquisição de experiências no mundo objetivo, pela acumulação de conhecimentos. Trata-se, em realidade, da mente racional, que seleciona, compara, classifica e arquiva os dados fornecidos pelas experiências sensoriais. Não há, da parte do Intelecto, qualquer caráter de criação genial. O intelectual “puro” se caracteriza por sua respeitável “bagagem de informações”. É um homem bem informado, capaz de dar respostas adequadas, mas que apresenta sensível dificuldade para concluir, para tirar conclusões. É muito comum o tipo que “sabe de tudo”, mas não “entende de nada”. Na literatura, este tipo demonstra ser incapaz de “dar o fecho”, o “arremate final”, nas estórias que conta. Ele vive perdido num caos de informações, que é incapaz de coordenar quando se faz necessária uma decisão. Ele vive perdido no meio de indecisões, nunca sabendo o certo ou o errado das coisas mais simples. Esta falha é indicativa da ausência do hábito da meditação. Ele absorve o conhecimento, mas não o “digere”. Do ponto de vista da evolução, tal indivíduo se constitui num fracasso.

Este é o tipo característico produzido pelos sistemas educacionais em voga, pois não buscam a edificação do homem, mas, tão somente o “desempenho”. Este é o significado real da palavra “alienação”, muito em moda atualmente. O Homem, um Ser Espiritual, reduzido à condição de “instrumento de desempenho”. Isto advém do desprezo votado pela humanidade aos aspectos superiores da natureza humana; à ignorância das potencialidades criadoras de que dispomos. Além disso, evoluir, exige trabalho, esforço, decisão, e nem todos estão dispostos a isso. Por isso mesmo, não se pode obrigar ninguém a evoluir. A decisão há que partir de cada um. Sua adesão tem que ser livre, espontânea; há que provir de um real interesse.

A Eubiose, como Ciência da Vida, visa precisamente, promover o reencontro do Homem com sua essencialidade mais profunda, que é de natureza cósmica. Para isso dispõe dos Conhecimentos necessários e do “método eubiótico” de aprendizado, que se traduz na trilogia: escola, teatro e templo, visando conduzir o discípulo à Realização fundamental da vida: a conquista da própria consciência.

O “Método Eubiótico”, por suas características, é o meio adequado à concretização deste “supremo desiderato”. Por isso mesmo, dedicaremos a seção seguinte [deste artigo] ao exame deste método. Cumpre, entretanto, recomendar aos discípulos que adotem o hábito de meditar sobre os assuntos que lhe cheguem ao conhecimento, pois é pela meditação que transformamos os conhecimentos e as experiências em sabedoria.

* José Carlos Arnizaut Simões. Publicado originalmente na revista Aquarius n. 2 ano 1 (1975), sob o título de “Eubiose” (parte 1/5).


3 Comentários
  1. Necessito de mais conteúdo sobre o referido assunto. Despertei, e já li alguns livros sobre hierarquias, sobre Maytrea, Marduk e Inanna, Pleidianos, livros de Wlademir Barcellos. Preciso de mais conteúdo.

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  2. Boa noite, pois tenho formação acadêmica em Letras pela UFRJ e atualmente tenho estudo comportamentos filosóficos e religiosos.Logo, gostaria de ter melhores esclarecimentos sobre Eubiose, se possível, num futuro próximo participar das reuniões.Aguardo breve e fraternalmente resposta.Alex Bonifacio, Bonsucesso, Rio de Janeiro.

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  3. Prezado Alex,
    É conveniente, se você quiser mais detalhes sobre o assunto, entrar em contato com o administrador do departamento mais próximo, cujo endereço de e-mail e telefone pode ser obtido na listagem “Departamentos próximos”, no menu abaixo.

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