Sociedade Brasileira de Eubiose
A esperaça da colheita reside na semente
O futuro imediato do mundo
Preâmbulo
Um laço misterioso une a natureza celeste à natureza terrestre.
[Humboldt]
O presente artigo possui três aspectos ou faces diferentes, que se fundem em uma só, tal como a Trimurti indiana, ou ainda como as Três Parcas – Cloto, Lachesis e Atropos, que, no tear da vida, a primeira fiava; a segunda enovelava e a terceira cortava o fio. A sua primeira face está voltada para os deuses, como o véu espesso que a encobre; a segunda – semi-velada – para os homens em busca d’Aqueles e, por isso mesmo, aptos a interpretá-la de acordo com um grau de consciência semi-divino; e, finalmente, a terceira, para o homem vulgar, mesmo assim, procurando desinteressar-se, por instantes, das “ilusões da vida material” para as cousas de reais valores, onde tudo se tem a ganhar e nada a perder.
I
Mistério…
Milênios atrás, disse Hermés ao seu discípulo Asclépias: “Aqueles que devem dominar a Terra, serão enviados e estabelecidos na extremidade do Egito, em uma cidade que será construída no Ocidente e… onde por mar e por terra afluirá a raça mortal.”
Asclépias: “Mas, onde estão eles, agora, ó Trimegisto?”
Hermés: “Estão estabelecidos em uma grande cidade na montanha da Líbia. E já vos disse demais sobre isto.”
Há perto de meio século, o “Rei do Mundo”, terminando a sua célebre profecia, disse: Então, Eu enviarei um povo agora desconhecido, que com mão firme, arrancará as más ervas da loucura e do vício e conduzirá os que ficarem fiéis ao Espírito do homem na batalha contra o mal… Eles fundarão uma nova vida sobre a terra purificada pela morte das nações… Então, os povos da Agharta sairão de suas cavernas subterrâneas e aparecerão na face da Terra.”
Do mesmo modo, H. P. B. na sua Doutrina Secreta, à página 27 do 1º volume da ed. Francesa: “No XX século, algum discípulo mais instruído e mais apto será talvez enviado pelo Mestre de Sabedoria para dar as provas finais e irrefutáveis de que existe uma ciência chamada Gupta Vidya e que, como as fontes misteriosas do Nilo, foi enfim encontrada novamente a fonte de todas as religiões e filosofias atualmente conhecidas, esquecida e perdida durante tantas idades pela humanidade.”
Nos dias atuais, falamos nós, como míseros discípulos: Índia e Egito despertam! Ambos estão repletos de enigmas… como única solução às questões impostas pelos destinos humanos. Uma, através dos seus pontífices misteriosos, seus deuses vivos, Mahatmas, homens que lêem no Livro terrível de Karma… O outro, através dos túmulos profanados dos seus Reis e Deuses…; do mistério insondável das suas Esfinges e Pirâmides seculares e… dos seus imensos areais – testemunho mudo de toda uma civilização prodigiosa que já se foi!…
Assim, esse oceano de centenas de milhões de seres humanos se ergue em vagas monstruosas, como se fôra sorver a humanidade inteira… Karma vai abrir uma nova página na História! Os tempos esperados já chegaram! Descubramo-nos: om mani padme hum!
II
O Grande Choque.
A Humanidade civilizada, por mais cuidadosamente amparada que esteja por seus invisíveis Guardiães – os Nirmanakayas – que velam sobre as nossas raças e sobre as nossas nações, se acha, entretanto, na razão de seu Karma coletivo, terrivelmente submetida à influência dos adversários tradicionais dos Nirmanakayas – os Irmãos da Sombra, encarnados e desencarnados; e essa situação, como já foi dita, durará até o fim do primeiro ciclo da Kali Yuga (1897) e até mesmo alguns anos mais, até que o pequeno ciclo obscuro se funda no grande. Desse modo, a despeito de todos os esforços, terríveis segredos são muitas vezes revelados a pessoas verdadeiramente indignas, graças aos esforços dos “Irmãos da Sombra” e sua ação sobre os cérebros humanos. Esse fato é devido, unicamente, a que em certos organismos privilegiados, as vibrações das verdades primitivas, postas em movimento pelos Seres Planetários, se acham em atividade sob a forma daquilo que a filosofia ocidental chamaria de idéias inatas e o Ocultismo “Lampejos de gênio”. E essa verdade paira no ar e tudo quanto podem fazer as Potências que velam pela Humanidade, é de impedir a sua completa revelação.
[Doutrina Secreta – H. P. Blavatsky]
De há muito que as “Forças do Mal” vêm submetendo o mundo ao seu domínio cruel e com isso, procurando destruir a Obra grandiosa dos deuses. Mas… os tempos esperados já chegaram para o grande Choque entre as duas forças contrárias: a do Bem e a do Mal.
Rechaçados por todos os lados; afugentados dos covis onde se ocultavam avaramente, os “representantes da Sombra” fogem e se espalham por toda parte do mundo. Aqui, além, por toda parte, enfim, eles buscam asilo seguro ou terreno fértil onde espalhar a semente do Mal. Os bacilos transmissores da “Peste Negra” invadiram todos os lugares. E como possuem um estado de consciência limitado aos planos da destruição, eles buscam, de preferência, os lugares considerados de valor, principalmente as instituições sagradas – aliás, as poucas que existem – para realizar a obra nefasta da demolição do Edifício Humano. Não formam nenhum núcleo à parte, porquanto, representam as próprias mazelas do mundo, ou melhor, tudo quanto a Humanidade tem feito em seu próprio detrimento, tal como diz o adágio popular: “Quem semeia ventos, colhe tempestades.”
E, por isso mesmo, eles se manifestam de dois modos: como encarnados e desencarnados.
Como desencarnados, atuam com muito maior facilidade, porque procuram os fracos, os tímidos, finalmente, aqueles a quem se pode chamar de “impúberes psíquicos” ou as mentalidades doentias dos que se fizeram retardatários na Vereda da Vida – os desorientados de todas as classes, ou melhor, os últimos vestígios das raças anteriores! O seu banquete predileto: as chamadas sessões de Espiritismo – melhor dito, Animismo – onde se cevam nesses pobres “mediuns” – na sua maioria, bem intencionados, porém, abandonados à mercê de todos os vampiros do Astral, embora que muitas vezes se apresentem com o rótulo de protetores, mestres, guardiães e… até santos da Igreja[1]! Do mesmo modo, nas associações pseudossecretas, onde se praticam as “ciências ocultas” (não confundir com o Ocultismo), para não dizer, a Necromancia, cujo único controle é a vaidade de possuir poderes psíquicos (sidhis inferiores) e apresentá-los às massas boquiabertas, mas… empestadas pelas emanações mortíferas das regiões inferiores do Astral!
Como encarnados, eles se manifestam como: católicos, protestantes, judeus, mulçumanos, budhistas, brahmanistas, positivistas, maçons, teosofistas, bolchevistas, fascistas, materialistas etc. etc., desde que as suas intenções sejam completamente diversas das várias máscaras de que se servem para estabelecer a confusão, o ódio, a mentira, a ruína, enfim, da Humanidade inteira. Intolerância, desrespeito para com as crenças alheias, dirão muitos que não tenham sabido interpretar o verdadeiro sentido das nossas palavras, ou talvez, aqueles que de fato estejam compreendidos entre os chamados “Irmãos da Sombra”!
Serão eles, por acaso, menos intolerantes e desrespeitosos para com os que se não acham alistados nas suas fileiras? Ou pelo contrário, os amaldiçoam e repudiam, não por crença, mas temerosos da concorrência desleal ao seu comércio vil com as cousas divinas? Desse número, não fazem parte os materialistas das várias escolas, porque eles negociam com a sua própria consciência nublada, ou melhor dito, oprimida pelos interesses da vida material, que se sintetizam em tudo quanto ela possui de ilusório… mas que eles não desejam perder por preço algum. Daí, o seu desinteresse pelas cousas divinas ou espirituais, desinteresse que se pode tomar como receio da descoberta de algo que pudesse, ou servir de freio a esses gozos materiais – considerados por eles como verdadeiros e, por isso mesmo, indispensáveis à vida; ou desvendar um novo horizonte ante os seus olhos, até então obscurecidos, mas que os forçaria a uma posição deprimente perante os seus admiradores e até, prosélitos[2].
Não pode haver tolerância e respeito para com o Mal reinante, causa de todas as desgraças humanas, oriundas da superstição e do fanatismo, filhos da ignorância! Se assim não procedêssemos, como poderíamos avocar – como outros muitos bem intencionados – o título de “obreiros” ou “construtores do Edifício Humano”?
Por isso mesmo, os grande Homens de todas as épocas já os apontaram como os maiores verdugos da Humanidade! Porém, o seu número prodigiosamente grande, como prodigiosamente grande é a estupidez humana, faz com que eles se multipliquem cada vez mais, e por isso mesmo, sejam considerados como “os animais daninhos” que destroem os campos já semeados pelos bons lavradores!
Porém, estes – os bons lavradores – embora como “anjos caídos ou rebeldes”, sacrificados pela própria Lei, livrarão da escravidão os que estão ameaçados, restituindo, portanto, aos que habitam aquém das fronteiras de Hércules, a salvação e a liberdade, tal como já tem acontecido em outras épocas, inclusive, aquela assinalada no grande poema épico Bhagavad Gîta: “E, subitamente, responderam em tumultuosos sons as conchas marinhas, os címbalos, tambores, tamborins e cornos bélicos. Então, Madhâva e o filho de Pandu, de pé, sobre seu carro arrastado por cavalos brancos, sopraram as suas divinas conchas. Aquele tumultuoso estrondo, abateu os corações dos filhos de Dhritarashtra, estremecendo céu e terra com seus sons…”
Poderão os Rakshasas negros – ao contrário de outrora – destruir os Devas luminosos? Irá a tirania esmagar sob o seu carro de guerra a elite e o ciclone das más paixões destruir o altar védico, extinguindo o Fogo Sagrado dos nossos antepassados? Não é possível, embora que contra os deuses, os seus inimigos estejam escudados nesse interminável período da Kali Yuga ou Idade Negra…
E, daí, quando nos tempos que se aproximam, ouvir-se falar de terremotos, inundações, pragas desconhecidas, epidemias e lutas terríveis – a certeza de que todos esses fatos que vão concorrer para a destruição do resto de uma raça, nada mais sejam do que o eco ou repercussão do choque tremendo dos “guerreiros divinos” contra “as hostes do Mal”. Será o momento decisivo ou o verdadeiro “Juízo Final”, segundo algumas concepções, onde não mais a voz dos aflitos será ouvida, porquanto, o próprio mundo cerrou os seus ouvidos às súplicas constantes dos Deuses. Então, o que restar dessa pobre Humanidade clamará no deserto as memoráveis palavras hebraicas, atribuídas a Jesus: “Eli, Eli lamma sabachtani”, isto é, “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” E que só terá como resposta, o eco provindo dos abismos inferiores, qual acusação final ao irremediavelmente perdido: Ele não vos abandonou, porque nunca O procurastes… Não vêdes que fostes vós que O abandonastes, não O tendo buscado em vós mesmos? É tarde demais para retrocederdes! Preferistes a vereda mais fácil, que vos desviou por completo do “Portal de Oiro” das Iniciações e com isso, através do “falso Caminho” chegastes à “caverna sombria” onde vivem os demônios da vossa própria consciência – em cujo Portal leu Dante estas palavras:
Per me se va nella citá dolente,
Per me se va nell’eterno dolore,
Per me se va a la perdutta gente.
E desse modo, perdidas estão todas as esperanças para o mortal que a penetrar, tal como ela própria o diz: “lasciate ogni speranza o’voi qui entrate…”
Por tudo isso e mais ainda, é que o homem se deve precaver contra as missões apregoadas como salvadoras de tão obscura situação, recordando sempre o que diz A Voz do Silêncio: “O nome do Segundo, é Vestíbulo da Instrução (instrução probatória, dizemos nós). Nele a tu’alma encontra as flores da vida; porém, debaixo de cada flor, uma serpente se acha enroscada”.
Um dos iniciados mais em evidência no século passado – Louis Claude de St. Martin – diz no seu Ecce Homo: “Eu creio fazer uma advertência salutar aos meus irmãos sobre tais fatos, dizendo-lhes: Homens, meus amigos, desconfiai dessas alegrias e desses transportes que vos ocasionam tais missões, dirigidas por aqueles que se dizem favorecidos dos deuses… e sobre quem vos firmais com tanto prazer. Por que não haveis de compreender que não pode ser possível tantos bens na face da terra? Estais seguros de que esses gozos que vos são prometidos, inclusive a salvação eterna, e que, de antemão, vos trazem felicidade, sejam remédio seguro aos vossos males, às vossas feridas… ou pelo contrário, retardem as alegrias perduráveis que poderíeis sentir no vosso imo? Guardai-vos com uma prudente reserva, no meio dos prodígios e das predições que vos cercam a respeito de semelhantes missões dirigidas e protegidas por tal gente”.
Mais adiante, diz ele ainda: “O que pode servir nessas manifestações ou movimentos exteriores para discernimento do falso, é, logo que as obras que dessas missões resultem, sejam, por assim dizer, sombras de obras, obras superficiais e, por conseguinte, mui pouco vivificantes para se ligarem ao plano da grande obra de Deus, cujo fim principal é de atrair-nos novamente para o nosso centro interno, onde Ele se acha, em lugar de subdividir-nos em centros externos, frágeis, tenebrosos ou corrompidos, onde Ele não se acha”.
Por isso mesmo, é que nós afirmamos: Cada Homem se constrói e constrói aos demais, não no sentido errôneo que se faz da palavra Mestre, ou seja, aquele que dá conhecimentos aos que não os possuem, porém no seu verdadeiro sentido de “despertador de consciência”, porquanto todo homem possui, germinalmente, todo o Saber que lhe é necessário.
“Construindo, deve o homem cingir-se, segundo a ordem física, isto é, o plano visível. Porém, no moral, aquele que só é visto pelos olhos da alma, mister se faz empregar o olhar profundo da intuição, cujas lentes se afinam com o uso das retas ações. Esse plano divino se acha fundamentado sobre este sintético princípio: Tudo parte do Um ao diverso, para volver do diverso ao Uno. A força centrífuga da emanação e a força centrípeta da absorção; a sístole e a diástole do coração do mundo: a expiração e a inspiração dos pulmões no Cosmos; o fluxo e o refluxo no Oceano do Universo; a analogia e a sintaxe na Gramática Divina. Primeiro, a perfeição das palavras, para depois chegar ao próprio construtivo. A seguir, a perfeição vital de cada órgão, para alcançar depois a perfeição do Edifício. Assim, pois, a orientação de nosso plano construtor terá que se encaminhar em tal sentido: construir-nos para que, com as nossas colunas erguidas, se edifiquem os templos. A perfeição do fragmento, como meio de ir à perfeição do conjunto.
Logo saber que cada molécula é um mundo e cada mundo uma molécula de outro mundo maior. E que nossa elevada moralidade construtora, terá que consistir na marcha do individual para o coletivo, do diverso para o uno; e como o diverso é o espírito materializado, assim como o Uno é a matéria espiritualizada, o caminho que havemos de percorrer, é aquele que vá do Deus manifesto pulverizado em homens, até o homem perfeito sublimado em Deus.”
E eis porque se diz: nasce o homem da criança; do homem, o homem vulgar, o Obreiro ou o Sábio – aquele que traz consigo todas as ferramentas apropriadas à construção do Edifício Humano, sintetizadas na Chave misteriosa que abre todas as portas, por ser o seu possuidor, o Édipo de todos os enigmas – a consciência da Unidade Suprema, a Divina Harmonia de seu eu envolvido com o Eu Universal!
Todo homem, portanto, que se tenha assim transformado em Obreiro ou Construtor, por isso mesmo, é um agente da Lei Universal, é do número dos que se acham banhados pelo grande “Canal da Fraternidade Branca” – esse Canal que é, cada vez mais, acrescido pelas diversas alianças que tem feito com o homem em diferentes épocas, até que possa finalmente, tomar um dia toda a extensão de um imenso oceano, vindo formar a plenitude de consciência em todos que por Ele forem banhados, transformando, portanto, as suas potências na natureza do homem, embora até então, como “Chresto” ou “homem da dor”, coroado de espinhos e até mesmo crucificado por seus próprios irmãos em humanidade. Sim, porque esse Canal ou “rio” fluente de Amor e Sabedoria, no qual nos temos recolhido ou aproveitado a nascente, jamais cessará de correr para nos regenerar, quando dentro das suas puras e tranquilas águas!
Do mesmo modo que neste mundo, o coração do homem generoso não se cansa de pulsar por seus irmãos, apesar de todas as suas injustiças e sempre pronto a tudo sofrer por eles, única e exclusivamente pelo prazer de praticar, indistintamente, a virtude; desse mesmo modo, o “rio” eterno de vida não se cansa dos nossos crimes e ingratidões, não o procurando… Somos os únicos culpados de que para nós ele fique reduzido a uma simples miragem no deserto da vida… o que nos condena a não comermos, senão, com o “suor de nossa fronte”, o pão da vida, que poderíamos ter comido, não, sem trabalho, mas sem fadigas nem lágrimas.
III
O Alvorecer de uma era nova.
Sinais visíveis na natureza e na ordem social pressagiam o advento de um Novo Ciclo. Todos eles e mais alguns avisos levam à evidência uma mudança de raça, ou melhor dito, de duas raças que se sucedem uma após outra… ou talvez se interpenetrem[3]. É óbvio dizer, e todo observador há notado que “os fins dos tempos” de que falam os livros sagrados, até mesmo a Bíblia – compilação adulterada daqueles – estão à porta.
Todas as predições assinaladas desde tempos remotíssimos, se ajustam maravilhosamente à nossa época, no que diz respeito aos terremotos, vulcões, epidemias, fome, amoral, egoísmo, guerras e tudo mais quanto constitui o lastro da vida atual. Mas há certos fatos, a priori, sem valor e que são prestantes para confirmar nossa tese, dando conta de que o continente Lemuriano, berço de uma florescente nação e que teria desaparecido nas águas revoltas do Pacífico há milhares e milhares de anos, começa a ressurgir.
As ilhas de Bagoslof, por exemplo, emergiram próximas ao Alaska, rapidíssimas, elevando-se a mil pés acima do nível. Em 1882, um soluço do Oceano fez brotar outra ilha perto dela. Em dez meses, houve 1071 tremores de terra, oriundos das convulsões das mesmas águas.
Nas épocas das grandes viagens, na primeira metade do século XIX, viram-se mais duas formações, posteriormente desaparecidas. A primeira (Dougherby) fôra notada por um baleeiro em 1841, a 51º20’ de latitude sul e 120º20’ de longitude oeste. A segunda (arquipélago Nenrod), descoberta em 1823, a 58º20’ de latitude sul e 158º5’ de longitude oeste. Apesar da viagem expressa que fez à zona indicada o vapor Carnegie, de Washington, nada mais se divisou. O caso mereceu atenção da The British Association for the Advancement of Science, de Londres, que se reuniu para investigá-lo. Além disso, a pugna d’armas a que assistimos e que enlutou a metade do mundo, arrastou consigo as grandes reivindicações nacionais.
O General Allenby, chefe dos exércitos expedicionários ingleses na Palestina, liberta Jerusalém a 10 de dezembro de 1917 do jugo pagão, marcando o termo do domínio otomano. Naquela época chegou a constar, até, que os israelitas, com o mesmo apoio britânico, pretendiam cidadanear-se à sombra da antiga pátria. A questão Alsácia-Lorena, eterno embate e tropeço das Grandes Potências da Europa, resolvida em definitivo (?). A Polônia, escrava e partilhada desde Kosciuzco[4] (1794-95), reconstituída pelo acordo dos Gabinetes Aliados, assinado em Versalhes a 3 de junho de 1918, com adesão imediata do Brasil. O problema constante dos Balkans[5], mui principalmente na sua feição Iugoslava, chave da hegemonia Teuto-Austríaca, recebeu o derradeiro demonstrandum. A Rússia, sacudida pelas convulsões kármicas contraídas desde tempos sem conta, à ponta de chicote e ao frio mortal da Sibéria, pensa destruir o jugo tirânico que pesa sobre os seus ombros e… de todas as nações do mundo, implantando o Comunismo – que aliás, o verdadeiro, não é obtido pelas revoluções com todas as suas consequências: o saque, o incêndio, o morticínio etc. etc., mas sim, de acordo com as sábias leis que regem os destinos de homens e cousas.
No entanto, não devemos esquecer que estamos assistindo aos últimos estertores de uma raça. Daí, toda essa ânsia incontida, sintetizada nos vários ideais que dia a dia aparecem no mundo, porém todos eles, frágeis tábuas de salvação para os irremediavelmente perdidos náufragos da vida… e muitos, até, meios de destruição… para que os tempos esperados se apressem.
Finalmente, ou bem ou mal, se procura solucionar o caso da “armamentação” das nações e outros mais. Não há, pois, como negar uma mudança imediata na vida de todos os povos. Todavia, elucidemos se ela se achava previamente profetizada; se é agindo de acordo com a Lei dos Ciclos, o instante sumo, e quais as resultantes contingentes.
***
Já nos antigos diplomas indianos, a verdade das revelações globais, estava contornada:
“Todas as vezes, ó filho de Bharata, que Dharma (a lei justa) declina e Adharma (o oposto a Dharma) se levanta, Eu me manifesto para salvação dos bons e destruição dos maus. Para o restabelecimento da Lei, Eu nasço em cada Yuga.”
E noutro lugar, de diferente códice, é afirmado à guisa de diagnóstico sobre a hora da manifestação:
“Não mais a observância das regras antigas; perda das crenças; atração para as cousas da matéria, em lugar das preocupações do Espírito; aumento das responsabilidades; diminuição dos bens da terra, enfraquecidos da vitalidade nos três reinos”.
Há, portanto, (os textos deixam antever), uma manifestação da divindade no plano físico – não, segundo a má interpretação que lhe deram alguns, criando um Instrutor antes de tempo, mas por meio de um ressurgimento completo no ânimo, nos costumes, na orientação, enfim, de todos os povos, concorrendo, portanto, para o Alvorecer de uma Era Nova portadora de Paz, Amor e Sabedoria entre os homens. E a prova disso, temos em outros lugares dos textos sagrados, onde a Divindade afirma: “E o meu Espírito pairará sobre a Terra”.
Aliás, os mesmos hindus fracionam a história geral em ciclos, uns maiores, outros menores. Sabe-se do de cinco com nome especial; do de mil, simbolizado pela fênix; e da grande Kali Yuga que se estende por 4320 milhões de anos. No entanto, existem os de 35, de 50 e 100 anos de que se não ouve falar… mas que possuem grande mistério para os Iniciados.
Desta forma, ao começar cada curto período, somos afetados com um movimento, tendente a levantar um ante-mural contra a vaga do materialismo bravio. No século XIV, o trabalho grandioso de Christian Rosenkreutz – embora não sejam poucos os que negam a sua existência. No XV, a Renascença e as grandes invenções; a descoberta da América por Cristóvão Colombo[6]. No XVI, a Restauração, as obras de Robert Bayle e a fundação da Sociedade Real de Ciências da Inglaterra; a descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral [7]. No XVII, o Ocultismo da Renascença; a Revolução de Oliver Cromwell na Inglaterra. No XVIII, a Revolução Francesa e a mágica trajetória dos Condes de Cagliostro e Saint-Germain, através o mistério do “Construens et Destruens”. No XIX, o aparecimento de Helena Petrovna Blavatsky, a mulher incompreendida, que fundou a Sociedade Teosófica na América do Norte, depois transplantada para as Índias. Ainda pode figurar como assunto de grande importância realizado no século XIX, principalmente ao que se refere à vida de nosso país, a proclamação da República, que por um desses mistérios incompreensíveis, coincide com a “Revolução francesa”, isto é, um século perfeito (1789 – 1889).
Finalmente, no século XX, a “Conflagração Européia” e as consecutivas descobertas que dia a dia vêm maravilhando o mundo, desde a Rádio-Telegrafia, até o cinema falado, a televisão etc. etc., além desse surto grandioso de progresso que se manifesta em todos os ramos da Ciência e por toda parte, enfim, tal como o “eterno destruens e construens de Bacon; os corsi e ricorsi de Vico”, nessa mobilidade constante das sociedades humanas, “em que tudo se transforma em mutações sucessivas, em ritmos mais ou menos longos, em sequências de épocas que germinam obscuramente, florescem um momento no esplendor de uma civlização triunfante, definham depois em períodos de decadência e morrem, como tudo no Universo, para dar lugar a outras formas, a outras vidas, a outros seres”.
Para nós outros, o século XX guarda ainda peculiar importância na fundação da Sociedade Teosófica Brasileira, com o fim único de preparar o advento da “sétima subraça”, embora que outro já tivesse sido o seu verdadeiro Arauto, ou seja, o Dr. Mario Roso de Luna. Não se deve, de nenhum modo, ocultar o trabalho maravilhoso da Associação “Samveda” de Buenos Aires para o mesmo fim.
Como é sabido, cada Manuantara se compõe de sete rondas; cada ronda de sete raças; cada raça de sete subraças, sendo que, cada uma destas, comporta sete ramos ou famílias e estas se multiplicam em tantas divisões quantos forem os efeitos kármicos. Sempre, em resumo, que um ramo, uma subraça e uma raça devem vir à luz, aí presenciamos esgotados um ciclo, dilatado ou não, conforme o caso. Como afirma Blavatsky, “Em breve estaremos no fim do ciclo. Os cataclismos se sucedem. Grandes forças estão sendo acumuladas para esse fim, em partes diversas”. E com maior meridianismo, o Dr. Buchaman, criador da psicometria:
O período da convulsão se aproxima… As grandes perturbações agravadas pela guerra que terá lugar na Europa, ao começar do XX século, guerra que será o golpe de misericórdia dado nas grandes monarquias. Não será em 1916 que a paz se restabelecerá completamente. Tudo ficará destruído, a religião como tudo mais.
Já pela grande guerra que teve seu início em 1914 e que em 1916 ainda não havia terminado; como também, a extraordinária reação que se vem dando contra as religiões – inclusive no México e agora, com caráter bastante sério, na Rússia e… as futuras em outros países, que não tardarão – tudo isso por fugirem as religiões do seu verdadeiro papel, intrometendo-se na vida política dos países – se pode deduzir até que ponto têm sido verdadeiras aquelas profecias.
De tudo quanto temos dito, fica comprovado:
1º – a vida universal está repartida em ciclos (longos e resumidos) os quais quando se desvitalizam, indicam uma correção no status quo.
2º – arribamos a uma dessas extensões moribundas, consoante à predição dos videntes e os indícios materiais em abundância.
3º – já se nota variegados tipos dos homens de amanhã.
Mas, donde emanarão eles?
Na guerra atual, insensivelmente, mansamente, a grande América do Norte absorveu em si todo o primeiro plano. Ela dita as normas a seguir, vide o exemplo do caso vertente do armistício, em que os Impérios Centrais só negociaram de envolta com o nome de Wilson. É de extasiar a rapidez, o civismo, a atividade e a eficiência com que, às pressas, rebentou um colosso, único suficiente para esmagar a prepotência das castas militares. Prefaciamente à luta, o comércio, as artes, as indústrias, a religião cultivada com fé e a benção que lhe sempre coroou todas as ações, infiltraram a convicção de que ela forma um povo privilegiado. É do domínio de todos, a vitória que a América acaba de alcançar com o célebre “Pacto Kellog” – primeiro passo para a realização do mais sublime de todos os ideais: a Fraternidade Humana. Em virtude do que, acentuamos: a geração vindoura chamada “sexta sub-raça” de lá virá. E essa asserção, é sopesada pelos cérebros vitais. Madame Blavatsky, com pulso firme e brilhante síntese, nos transmitiu:
A filosofia oculta ensina que, agora mesmo, sob nossos próprios olhos, a nova raça está em via de formação e que a transformação se fará na América, onde já começa silenciosamente a se operar. Os americanos dos Estados Unidos, eram há 300 anos, da mais pura raça anglo-saxônia e formam hoje um povo a parte. Assim, no espaço de três séculos somente, os americanos tornaram-se uma raça primária, diferente de todas as outras raças que atualmente existem. Serão certamente, os pioneiros da futura raça.
Hoje, um célebre etnólogo norte-americano, vem afirmando que um novo tipo lá se desenvolve… Entre outras cousas, diz ele: “Se ele (o observador) viaja várias vezes pela América, com ausências prolongadas, não deixará de notar que esse gênero de indivíduos, cresce sem cessar… e vós vereis uma grande regularidade nos traços: um maxilar quadrado; uma fronte dilatada, em uma palavra, a cabeça de um homem, largamente desenvolvido, sob o ponto de vista intelectual”.
Não tem, portanto, razão os que teimam ser hipócrita o progredimento americano; ser-lhe fictícia a inconcebível desenvoltura; serem-lhe mentirosas e desonestas as inclinações. Podem afirmá-lo com liberdade, mas dizem asneira. E entre estes e o karma, que de tantos povos, escolheram aquele para sobrestar ao desastre mundial, não é penoso, nem favor, o decidir-se a gente.
Não somente os mesmos livros sagrados que apontaram a América do Norte com o lugar de onde emanaria a “sexta subraça”, o fazem com a do Sul para a “sétima”; como também, vários etnólogos de nossos dias – sem falar nos grandes videntes ou seres de sabedoria que, infelizmente, ignorados e, até, repudiados pela chamada ciência positiva, não podemos tomá-los como os mais valiosos testemunhos de todas as nossas afirmativas. Pese a nosso favor, os próprios livros sagrados que, ao menos, são tidos como “jóias preciosas da literatura indiana…” Um dos estudos mais interessantes nesse sentido, embora que fragmentário, foi publicado pela revista americana Scientific Review, justamente pelo chefe da missão científica enviada pela Universidade de Pensilvânia, às expensas do fundo Carnegie, demonstrando que em vários países sul-americanos já se notam as características de uma raça definida. E isso já o afirmava em tom profético, o profundo sociólogo mexicano Vasconcellos, quando dizia: “que é dentre as bacias do Amazonas e do Prata que sairá a ‘quinta-raça’, a ‘raça cósmica’, que realizará a concórdia universal, porque será filha das dores e das esperanças de toda a humanidade”… embora que para nós, teósofos, seja a última sub-raça da quinta raça-mãe – Ária – justamente a que tem esse papel grandioso a que se refere o ilustre sábio mexicano.
Seria fastidioso e até mesmo impossível, em um simples artigo como este, apresentarmos as muitas outras razões que nos induziram a proclamar em “altas vozes” o advento de uma nova raça nesta parte do globo, a qual muitos dão o nome de “Ibero-Americana” e a Teosofia, o de “sétima subraça”, por ser de fato a última do “ciclo ariano”.
Tudo quanto a Teosofia tem afirmado – principalmente através do gigantesco monumento literário que é a Doutrina Secreta de H. P. Blavatsky, embora que difícil de ser compreendida, até mesmo pelos seus prosélitos, tal como a própria autora o diz no terceiro volume, de que “somente durante o século XX, é que, se não a obra inteira, ao menos certa parte dela será justificada” – se vem realizando dia a dia, com verdadeira admiração de todos que têm feito uma leitura judiciosa da mesma.
Somente, o despeito – para não dizer, o temor à concorrência – por parte das religiões e dos ignorantes em matéria de Esoterismo – pode contrariar esta nossa afirmativa. Porém, a ninguém se deve negar o direito de crítica. Por isso mesmo, diremos: as religiões são necessárias aos “impúberes psíquicos” ou cérebros infantis, que necessitam de algo fantástico e aterrador – inclusive um Deus odiento e vingativo, qual fabuloso Saturno devorador de seus próprios filhos – que a golpes infernais os obrigue a escalar os frágeis degraus de sua escada. Daí, os muitos que por elas passando e não lhes satisfazendo “esses róseos contos infantis”, procuraram alçar um vôo mais amplo pelas regiões sublimes do espaço em busca da verdade única, que é a Teosofia, como a iniciadora dos mistérios encerrados na Natureza e no Homem.
Assim, vejamos o que Ela nos ensina a tal respeito:
Quatro raças com as suas respectivas subraças (sete cada uma delas), já fizeram seu aparecimento no mundo; sendo que as duas últimas, foram a Lemuriana e a Atlante. A atual – a Ária – é a quinta Raça-Mãe, já no final da sua quinta subraça – a Germânica. Ela estabeleceu-se há 850 mil anos atrás, no Norte da Índia. A sua religião foi o hinduísmo primitivo: leis do manú, leis das castas. A sua segunda subraça foi a Ário-semítica ou Caldáica, que atravessou o Afeganistão e espalhou-se nas planícies do Eufrates e na Síria. Teve como religião o Sabeísmo. A terceira, foi a Iraniana, conduzida pelo primeiro Zoroastro. Estabeleceu-se na Pérsia e daí na Arábia e Egito; culto do fogo; a Alquimia foi nela mui honrada. A quarta, a Céltica, foi conduzida por Orfeu. Espalhou-se na Grécia, na Itália, França, Irlanda e Escócia. Distinguiu-se em todas as linhas artísticas. Finalmente, a quinta, da qual somos rebentos, com várias modificações, é a Teutônica, que emigra da Europa Central e espalha-se por toda parte do mundo. Esta raça é que passa neste momento pela sua última fase, para dar nascimento às duas subraças que faltam, para finalizar o “ciclo ário”: a sexta que nascerá na América do Norte, tal como já se provou em outros lugares deste estudo, e a sétima na América do Sul, para a qual foi criada esta Sociedade, isto é, com o fim de preparar os “alicerces básicos para o seu reino glorioso”. Trabalho este, que pertence a todos os homens de boa vontade, cônscios do papel que lhes incumbe na História atual da Humanidade.
Procuremos, agora, raciocinar com os Puranas, quando afirmam que os dwipas ou continentes, são sete, e ao mesmo tempo, dar-lhes o verdadeiro significado do sânscrito para a nossa língua.
1º – Jambu que quer dizer: jambo, jambosa etc.
2º – Plaska, isto é, “ficus religiosa”. (Árvore existente nos nossos parques e jardins, porém de procedência indiana. É o “banian” ou a árvore sagrada da Índia.)
3º – Salmali, que quer dizer, “rodeado pelo mar de manteiga clarificada”. É o “Bombax heptaphylum”, espécie de algodoeira.
4º – Kusha, cujo significado, é: “inebriado”, “em delírio” etc. É a “Poa cynosmoides” – planta com que faziam um licro sagrado.
Nada mais aplicável à quarta Raça-Mãe do que semelhante significado, porque, de fato, inebriados, em delírio… pelas influências kamicas aí desenvolvidas, viviam os atlantes. Daí, terem sido governados por Lua e Saturno… A Magia Negra aí proliferou com exuberância.
5º – Krauncha, “nome de uma montanha no Himalaia”… A superfície do globo tendo passado por várias modificações, umas após outras, emergem as partes de nosso continente atual que tem aquele nome. Depois da catástrofe de há 200 mil anos atrás que deixou a ilha Posseidonis, só, no meio do Oceano Atlântico, os cinco continentes atuais tomaram a forma que têm hoje[8].
6º – Shaka, que quer dizer “rodeado pelo mar de leite”. Erva, madeira, toda madeira herbácea comestível. Força e Poder.
É bem provável que seja o dwipa ou continente para a sexta Raça-Mãe, justamente, quando a antiga Lemúria emergir do fundo das águas, purificada das imperfeições kármicas das civilizações que nela habitaram.
7º – Pushkara ou Lago, Flor de Loto, flecha, batalha, etc.”
Do mesmo modo que nos referimos ao primeiro, dizemos que neste surgirá a sétima “Raça-Mãe”… quando a Atlântida – qual Fênix ressuscitada das suas próprias cinzas, emergir das profundezas do Oceano…
Como se viu, os Puranas dão a Pushkara o significado de “Flor de Loto”. Por isso mesmo, o verdadeiro “Loto das Mil Pétalas”, nascerá no mundo, ou seja, Maitreya-Buddha – o Kalki-avatara das tradições indianas.
Esse “Loto das Mil Pétalas” está simbolizado no Sahasrara ou Sétimo Chackra (centro de força) situado no alto da cabeça… onde se manifesta Avalokiteshvara (Padmapani), a quem os Adeptos transhimalaios saúdam com o célebre mantram das seis sílabras: Om Mani Padme Hum! ou em tradução livre: Salve ó Jóia preciosa manifestada no Loto!
É bem provável… tudo assim o indica que a sexta subraça dará nascimento à sexta Raça-Mãe. Do mesmo modo que, a sétima subraça para a sétima Raça-Mãe; tudo isso, depois de terríveis catástrofes por que o mundo ainda terá de passar.
Se as nossas pobres deduções não forem suficientes para o leitor exigente, volvamos à Doutrina Secreta – a futura Bíblia da Humanidade – (no II vol. pág. 225 da ed. Francesa), onde a incomparável H. P. Blavatsky trata da analogia existente entre Avalokiteshvara, Kwan-shi-Yin e Maitreya-Buddha: “Ele (Avalokiteshvara) aparecerá como o Maitreya-Buddha, o último dos avataras e dos Buddhas, durante a “Sétima Raça”. Esta crença em semelhante aparecimento, é conhecida em todo o Oriente. Continua ela: “Somente isso não se dará durante o Kali-Yuga, nossa tenebrosa época atual[9].
Segundo o Mahatma Koot-Hoomi[10], “Avalokiteshvara, é o sétimo princípio manifestado (Atmã como Verbo ou Christo etc.). Daí, o que disse São Paulo: ‘Não sabeis que sois o templo de Deus e que Seu Espírito aí habita?’”
Negar que um povo primitivo, por isso mesmo, poupado pela grande catástrofe que fez submergir a Atlântida, existiu nesta parte do globo, é desconhecer as leis ocultas que regem os destinos humanos. Do mesmo modo, que outros grupos ou famílias emigrados de outros países, vieram fundir-se na população autóctone sul-americana. Já o erudito filólogo – Visconde de Porto Seguro – provou que no tupi-guarani se encontram vocábulos sânscritos, chineses, hebráicos e egípcios.
Humboldt, por exemplo, quando visitando o Ceará, aproximou-se da Serra de Ibiapaba e da Gruta de Ubajara (que quer dizer em tupi, o frecheiro ou destro em atirar a frecha) e exclamou: “Aqui andou na Antiguidade o homem branco”. Couto de Magalhães, na sua obra sobre o selvagem, provou por centenas de indícios a verdade da palavra de Humboldt. Varnhagen já havia encontrado a ligação dos povos cários com o antigo Brasil e Onofroy de Thoron, apontou a existência de colônias hebraicas no Alto Solimões, no tempo do Rei Salomão (aliás, um dos muitos Salomões que existiram), cujo nome em língua aramaica era “Soliman”.
Há bem pouco esteve entre nós o sábio alemão Professor Schwennagen, que à sua maneira procurou demonstrar, através de conferências e entrevistas concedidas a jornais fluminenses, a verdade sobre o Brasil Fenício. Entre muitos fatos interessantes, cita o de haver encontrado na Biblioteca piauiense uma obra de Heródoto, na qual estavam exaradas as seguintes palavras, no Capítulo que tinha por título: “Como os egípcios embalsamavam os mortos” – “Quando alguém morre, chama-se o artista embalsamador que prepara o corpo de maneira que este possa ficar alguns dias em casa sem apodrecer, para serem celebradas as cerimônias fúnebres. Depois, o corpo entra num tanque com lixívia de nitro, onde o mesmo fica setenta dias, para ser completamente nitrizado. Depois, ainda, o embalsamador prepara a pele com gorduras lustrosas para dar ao corpo um bom aspecto…” “Assim”, conclui o professor Schwennagen, o rei Tut-Ankh-Amon e sua esposa, a rainha Tinhanen, puderam dormir 3,2 mil anos, para aparecerem no nosso tempo, mais novos e mais bonitos do que na hora de sua morte”. No fim do Capítulo, diz Heródoto: “que o nitro era fornecido aos egípcios pelos fenícios”, e por esse motivo, ele, professor Schwennagen traduzia o nome de um riacho, perto de uma gruta salitrosa no município de Tiangú, na Serra de Ibiapaba, no Ceará, riacho este que tem no inverno, água salitrosa, e cujo nome é Niterói ou “rio de salitre”. Também na Bahia, existe o rio Salitre, cujo nome primitivo foi Niterói.
O salitre é chamado em grego “nitron” e em latim “nitrum”. O dicionário tupi reza: “Nitinga, contraído de niter-tinga, significa, conforme Anchieta, um sal forte que faz manchas na pele da gente”. Daí, deduz-se que na língua tupi “niter” significa o salitre em estallagitos (estalagmites), formados pela destilação artificial nas paredes das grutas; e “niter-tinga” ou nitinga, o salitre branco, purificado pela lavagem em ebulição. Pelo que se vê, a palavra Niterói, é de origem tupi, por isso mesmo, não deve ser escrita (Nictheroy), tal como a mor parte das pessoas o faz, que só teria razão de ser se fosse de origem grega.
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A propósito de uma expedição que se organiza na América do Norte, a fim de investigar as civlizações pré-cabralinas, diz o Sr. Mustapha Ibrahim – ilustre engenheiro marroquino que desde 1925 se acha entre nós, em Minas Gerais – em entrevista concedida à nossa imprensa:
Tenho viajado muito durante toda a minha vida. Conheço o Egito e muitas outras terras. Nesses três últimos anos me tem despertado grande curiosidade as cousas do Brasil, e cheguei à convicção de que é preciso que se organize uma expedição nacional que pesquise as origens egípcias e fenícias do Brasil, baseado em provas linguísticas, evidentes em palavras em plena voga, mas alteradas de suas origens semíticas.
Tomo como base a língua aramaica, porque ela pertence ao mesmo grupo das línguas semíticas, como o hebreu, o etíope e o fenício, convindo notar que era desta raça ou origem a tripulação dos navios egípcios.
É sabido que no reinado de Neko II, seis séculos antes de Cristo, o desenvolvimento da marinha egípcia chegou ao apogeu e que aquele faraó tentou reconstituir o canal executado por Seti I, para ligar o Mar Vermelho ao Mediterrâneo, parte do canal sendo tapada pelas areias. Abandonou a idéia dessa obra depois de haver perdido 200 mil homens em empreendimento tão colossal. Quando Lesseps construiu o Canal de Suez, acharam-se vestígios do que fora tentado por Neko II, que iniciou também a viagem de circunavegação da África, que durou três anos, sendo a maioria dos marinheiros, fenícios.
Existem vestígios dessa viagem de circunavegação nos montes Atlas, sendo de salientar que ao sul foi descoberta uma estátua de homem colossal, com o braço estendido para o ocidente, como se indicasse a América…
É aceitável que nas viagens pelas costas da África alguns navios chegando perto de Cabo Verde, fossem arrastados pela corrente equatorial que os trouxesse às Antilhas e ao Golfo do México.
Ampara essa suposição, o fato de se encontrarem nomes árabes nos extremos daquela linha. Na costa africana, bem perto do Cabo Verde, há um lugar chamado Almadie, que em árabe ‘El Mahdieh’, ‘o lugar em que o rio é atravessado’ e também, a ‘embarcação que serve para atravessá-la’. Demais, é de notar ser precisamente naquele ponto que a correnteza norte equatorial se move até o nordeste.
Muitos nomes americanos, são corrupções de palavras árabes, egípcias e fenícias. Por exemplo: quando os egípcios chegaram no Perú, exclamaram assombrados ante o Chimborazo em plena atividade: ‘Djehin be ras-ho’, o que quer dizer, ‘os demônios ou o inferno no cume’.
O Perú fornece uma grande porção de materiais que justificam a influência egípcia e fenícia na América. Segundo o professor Pablo Patron, da Universidade de San Marco de Lima, a língua aimoré procede da síria, o que é comprovado por uma escritura americana primitiva, comparável aos caracteres assírios e egípcios.
No momento não me sobre tempo para citar a infinidade de nomes que em todos os países da América possuem origem oriental.
Em Mato Grosso, no Brasil, encontrei os índios Ababa (Hababa), os ‘abacates’ (Abi cate), divididos em quatro grupos: Melekas (proprietários), Khavatir (guardas), Achabas (Ach chaab), ‘o povo’, e os Fukeras (foukaras), ‘os pobres’.
À beira do Xingú, existem os Amús, nome dos egípcios do Istmo de Suez. Entre o Brasil e o Uruguai, à margem do Rio Grande, habitavam no tempo da conquista, os índios ‘arachanes’, nome que em guarani significa ‘o que vê surgir o dia’ e vem de Ara, ‘dia’ e Chanel, ‘que vê’. Em árabe, chanel, quer dizer, também a ‘ação de ver’. Além disso, a raça autóctone do Brasil, é Abauna, que vem de Abona – ‘nossos pais’.
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Estamos de pleno acordo com uma grande parte das palavras do mavioso bardo hindu Rabindranath Tagore, quando da sua entrevista concedida ao jornalista chileno Álvaro Hinojosa, ao chegar à Índia, depois de ter visitado alguns países da América Latina. Entre muitas coisas interessantes, disse ele o seguinte:
Creio que o problema da América está nas mãos do continente. Ali, temos os Estados Unidos formando uma nação forte. Não existe razão alguma – geográfica ou racial – para que a América do Sul não seja uma só República. Disso depende sua própria existência. Os verdadeiros interesses dos americanos são idênticos. Língua, raça e religião em comum, indicam-lhes o caminho. Eu não gosto de falar de política. A política mantém a divisão entre os senhores. Os políticos e as suas idéias passam. Só as cousas do espírito têm um valor permanente, ainda depois do desaparecimento das nações. Assim, temos hoje tudo o que há de mais valioso da cultura grega e de outras culturas, antes que chegassem a se converter em civilizações.
Mas existe para os senhores um problema urgente e de que não se podem descuidar: o de não desaparecer. E serão absorvidos pelo Norte, a menos que adquiram disciplina, ordem, unidade.
Mais adiante, diz ele:
Deve vir um homem superior, que seja dominador comum entre esses povos, capaz de encarnar a idéia da unidade. Em minha curta viagem à América, pude notar já os sintomas, as centelhas de consciência que anunciam a chegada desse homem. Essa voz será ouvida dentro em pouco; os senhores devem saber reconhecê-la. Não considero inferior a cultura anglo-saxã. Não. Mas o desenvolvimento da cultura de origem espanhola na América do Sul, deve verificar-se livremente. Temos o direito de esperar o fruto dessa grande colheita.
Convém notar que o inspirado poeta hindu não visitou o Brasil. Mesmo assim, por mais de acordo que as suas palavras estejam com o maravilhoso empreendimento para onde estão gizadas todas as nossas diretrizes, não podemos deixar de apontar algumas falhas contidas nelas. Por exemplo, quando ele diz: “Língua, raça e religião” e “cultura de origem espanhola”, que deviam ser substituídos – desde que se trata de todas as nações sul-americanas, de que faz parte um Brasil colosso – por “língua” e “cultura” de origem ibérica, o que tanto abrangeria a gloriosa Espanha, como o Portugal dos tradicionais feitos que a História subscreve, ambos, portanto, cobertos de louros e grandezas inconfundíveis. Do mesmo modo, quanto ao seu infundado receio, quando aponta como grave perigo, “o de desaparecermos absorvidos pelo Norte”. É muito natural que um espírito culto, nascido nas Índias, conheça esse “Choque” terrível que sempre tem acontecimento entre duas raças quando aparecem quase ao mesmo tempo e de que falam, mui veladamente, todos os livros sagrados. Porém, no presente estudo, já demos provas sobejas de tudo quanto de grandioso e, por isso mesmo, espiritual, é capaz a América do Norte, para necessitarmos de toda e qualquer precaução nesse sentido. Outro ponto que exige ser elucidado é aquele onde o poeta dos versos maviosos, fala em “um homem superior que há de vir como dominador comum entre esses povos, capaz de encarnar a idéia da unidade”. Não se trata de nenhum “Instrutor” ou “Messias”, como já devia ter passado pela mente do leitor… mas do Homem-Colosso ou Gigante, representado nos milhares de Homens alistados no grande Exército da Paz, do Amor, da Verdade e da Justiça… prestes a transformar-se na “Grande Família Espiritual” Sul-Americana – síntese maravilhosa da “sétima subraça”, portadora de uma Era Nova para o mundo, onde todos os homens se reconhecerão como irmãos, oriundos, portanto do mesmo tronco. E, então, o maior de todos os ideais – até hoje considerado como utopia, implantará o seu Reino na face da Terra: a Fraternidade Universal!
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Um grupo de modernistas da “Academia Paulista de Letras”, instituiu um grêmio com o título de “Verdamarelismo”, tendo à sua frente uma das florescentes mentalidades de nossa Pátria: Menotti del Picchia. Num manifesto definidor, os ilustres acadêmicos apontam um Brasil futuro como o “summum” das civilizações, levados não só pela supervisão intelectual que caracteriza os homens evoluídos, como também por um fervoroso amor à sua pátria, que, para serem verdadeiros teósofos, bastaria que no dito manifesto estivessem incluídos os demais povos da América Latina – compreendidos nessa “Raça Cósmica” a que o mesmo alude, citando a abalizada opinião do sociólogo mexicano Vasconcelos, porquanto, num belo rasgo de espiritualidade, aquele manifesto, procura derramar, como benção sobre os demais povos do mundo todos os benefícios resultantes da “Nova Civilização” que se avizinha dos nossos dias.
De fato, o verdadeiro teósofo reconhece o valor pátrio e os deveres que disso resulta, de acordo com as próprias palavras do Senhor Buddha: “Segue a roda do dever para com a tua raça e os do teu sangue, para com o amigo, como o inimigo e fecha a tua mente aos prazeres como a dor”. Porém, quando se trata do Amor, no seu mais elevado sentido – a Fraternidade – ele (o teósofo), não o restringe a determinado ser ou cousa, mas sim, divide-o igualmente entre tudo quanto se manifesta na Natureza.
Uma das mais valiosas demonstrações do elevado ideal que inspira os ilustres membros do “Verdamarelismo”, está na aceitação para o seu quadro social de toda e qualquer pessoa, sem distinção de credo etc. – à guisa dessa formidável potência de nosso século que se chama de “Rotary Internacional”, sem nenhum favor, um dos mais valiosos fatores do progresso atual da Humanidade –, fiel ao seu lema: “Dar de si antes de pensar em si”. No que diz respeito ao “Rotary Brasileiro”, por exemplo, aí constataremos a sua eficiente campanha em prol da alfabetização, da eugenia e outros muitos problemas que concorrem para o engrandecimento físico, moral e intelectual de nossa raça.
Todos esses maravilhosos empreendimentos, dignos de imitação por todos os homens – cujo ânimo não foi ainda despertado da letargia mórbida das cousas ilusórias da vida – são as mais belas provas do que vimos afirmando até aqui: uma transformação completa, no ânimo, nos costumes, na vida, enfim, de todos os povos, como o prenúncio de uma Era Nova que a passos agigantados se aproxima de nós.
Por isso mesmo, é uma honra para este insignificante estudo, não só a referência feita ao “Rotary Internacional”, como transcrever alguns trechos do manifesto lançado pelo “Verdamarelismo” de São Paulo.
A descida dos tupis do planalto continental, no rumo do Atlântico, foi uma fatalidade (o grifo é nosso) histórica pré-cabralina, que preparou o ambiente para as entradas no sertão pelos aventureiros brancos desbravadores do oceano.
A expulsão feita pelo povo tapir, dos tapuias do litoral, significa bem, na história da América, a proclamação do direito das raças e a negação de todos os preconceitos.
Embora viessem os guerreiros do Oeste, dizendo ‘Ya so Pindorama koti, itamarama po anhatim, yara recê’, na realidade não desceram com a sua Anta, a fim de absorver a gente branca e se fixarem objetivamente na terra. Onde estão os rastos dos velhos conquistadores?
Os tupis desceram para ser absorvidos. Para se diluírem no sangue da gente nova [grifo nosso]. Para viver subjetivamente e transformar uma prodigiosa força e bondade do brasileiro e o seu grande sentimento de humanidade.
Seu totem não é carnívoro: é a anta. É este um animal que ‘abre caminhos’, e aí parece estar indicada a predestinação da gente tupi.
Toda a história desta raça corresponde (desde o reino Martim Afonso ao nacionalista verde-amarelo José Bonifácio) a um lento desaparecer de formas objetivas e um crescente aparecimento de forças subjetivas nacionais.
O tupi significa a ausência de preconceitos. O tapuia é o próprio preconceito em fuga para o sertão. O jesuíta pensou que havia conquistado o tupi, e o tupi é que havia conquistado para si a religião do jesuíta. O português julgou que o tupi deixaria de existir; e o português transformou-se e ergueu-se com fisionomia de nação nova contra a metrópole, porque o tupi venceu dentro da alma e do sangue do português.
O tapuia isolou-se na selva para viver; e foi morto pelos arcabuzes e pelas flechas inimigas. O tupi sociabilizou-se sem temor na morte; e ficou eternizado no sangue da nossa raça. O tapuia é morto, o tupi é vivo.
Em outros lugares:
Somos um país de imigração e continuaremos a ser o refúgio da humanidade, por motivos geográficos e econômicos demasiadamente sabidos. Segundo os de Reclus, só o vale do Amazonas é capaz de alimentar 300 milhões de habitantes. Na opinião bem fundamentada do sociólogo mexicano Vasconcelos, é dentre as bacias do Amazonas e do Prata que sairá a ‘quinta raça’, a ‘raça cósmica’, que realizará a concórdia universal, porque será filha das dores e das esperanças de toda a humanidade. Temos de construir essa grande nação, integrando na Pátria comum, todas as nossas expressões históricas, étnicas, sociais, religiosas e políticas, pela força centrípeta do elemento tupi.
Para terminar, façamos um último estudo, desta vez, sobre a palavra Tamandaré, já que o tupi foi o último cadinho por que passaram, em espiritual fusão, as “mônadas” gloriosas da parte que cabe ao Brasil, no magno Trabalho em que estamos empenhados.
Na língua tupi, Tamandaré procede de tamanda-ré, que quer dizer “depois da volta”. É, ainda, o nome do Noé (dos muitos que têm existido) da lenda do dilúvio entre o gentio brasílico. Segundo Baptista Caetano, Tamandaré procede de Tamoindaré (tab-moi-nda-ré), isto é, “aquele que fundou povo ou o repovoador da terra”. E a prova disso, encontrar-se-á em uma das mais belas passagens da tradição tupi – poeticamente descrita pelo genial brasileiro José de Alencar, no seu imortal romance “O Guarani”:
Foi longe, bem longe dos tempos de agora. As águas caíam e começaram a cobrir a terra. Os homens subiram ao alto das montanhas; um só ficou na várzea com sua esposa. Era Tamandaré; forte entre os fortes, sabia mais do que todos. O Senhor falava-lhe de noite, e de dia ele ensinava aos filhos da tribo o que aprendia do céu.
Pois bem, com essa lenda maravilhosa dos nossos antepassados que, unidos ao português, moldaram a alma grandiosa do brasileiro[11]; do mesmo modo, que outras tantas lendas sul-americanas – inclusive entre os incas no Peru, ou seja, a do “Manco-Capac” e “Mama-Coya” – um que na Cidade Alta instruía os homens, e outra, a sua esposa – que, na Cidade Baixa, fazia o mesmo às mulheres” – encontrar-se-á a imagem mais expressiva do futuro “manu”[12] à frente de sua Raça, guiando-a para os altos destinos que a Lei – na sua infalibilidade – lhe concedeu como o “expoente máximo do ciclo ário”, por conseguinte, a página apoteótica do passado e presente das grandes civilizações humanas!
Glorifiquemos, pois, desde já a figura majestosa do futuro “manu”, em todos os homens nascidos nesta parte do globo, com muita razão, cognominada de a Nova Chanaan ou a Terra da Promissão – verdadeiro Santuário da Iniciação moral do gênero humano, a caminho da sociedade futura.
Vitam impendere vero!
[1] O grande gênio de nosso século – o Dr. Roso de Luna – termina a sua maravilhosa obra El Libro que mata a la muerte, com estas judiciosas palavras: “O Espiritismo, doutrina tão repreensível no emprego da mediunidade provocada, como respeitável em sua filosofia e em suas manifestações ‘espontâneas através da História’, é um arquivo insondável de ‘fatos jinas’ merecedores de um estudo científico imparcial, no sentido em que temos insinuado ou esboçado nos numerosíssimos do presente livro”.
[2] Nunca se deve dar o título de “filósofo” a tais pessoas, embora algumas se arroguem esse direito… através de idéias preconcebidas. A palavra “filosofia”, do grego “phileo” – amar – e “sophia” – sabedoria – quer dizer: “amor pela Sabedoria” e o conhecimento que disto resulta. Daí, “filósofo” quer dizer: “amante da Verdade”. Todo homem bom e repleto de sabedoria, é um verdadeiro sábio, um teósofo, etc. À medida que os seus conhecimentos e perfeição moral vão atingindo os mais elevados aspectos da Divindade, ele se torna um super-homem, um Adepto elevado, etc, etc.
Todo homem que se esforça por realizar progressos na vida, está à vanguarda dos demais, em virtude de que, nele, as forças psíquicas – como um verdadeiro “púbere psíquico” – se acham mais desenvolvidas. Impulsionado por essa força, cada vez mais se aproxima da Fonte de Sabedoria, até que a ignorância (Avidya) ou a tendência da matéria, perca por completo a sua influência sobre ele. Chegado à Moksa (a libertação), torna-se senhor da Consciência Universal.
[3] Quer os livros sagrados do Oriente, quer os grandes Seres de Sabedoria, afirmam que as raças finais das Rondas se aceleram e até se sucedem quase imediatamente. Um desses Seres, é o Mahatma Koot Hoomi, a quem citamos a cada instante, por ser daqueles que ousam dizer: “Nós assim afirmamos porque temos certeza que esta é a verdade”.
A idéia que fazemos das palavras “Mestre”, “Mahatma”, etc, é mui bem outra do que se pensa. É lógico que todo e qualquer Homem que se encontre à vanguarda da Humanidade, ipso-facto, possa ter semelhante título, e nunca no sentido de ensinar cousa alguma, mas sim, de “despertar a consciência adormecida” em todos os homens… Daí, o adágio: “Faze por ti, que eu te ajudarei”.
[4] Thadeu Kosciuszko, general polaco – Nota do digitador.
[5] Balcãs – Nota do digitador.
[6] A soma kabbalistica de 15 (15º século) é 6. Colombo descobre o “Novo Mundo” ou o lugar donde deveria sair a 6ª sub-raça.
[7] A soma kabbalistica de 16 (16º século) é 7. Cabral descobre uma outra parte do “Novo Mundo”, donde deveria sair a 7ª sub-raça.
[8] Os “dwipas” ainda têm um outro sentido em relação com os 7 Globo da Cadeia Planetária.
[9] Sempre discordamos da idéia do “Instrutor do Mundo” nesta época e, muito menos, como Maitreya-Buddha – tal como chamavam ao pupilo da Sra. Besant e do bispo Leadbeater, não só as preces (?) da Ordem da Estrela, como até os seus adeptos… mesmo agora, depois do “protagonista” ter dissolvido a dita Ordem.
No estudo crítico que ora fazemos (do mesmo modo que no futuro na parte referente à Teosofia na “A Minha Mensagem ao Mundo Espiritualista”) – no que diz respeito à má direção que deram os seus proceres atuais, aos fins a que H. P. B. destinou a S. T. quando a fundou – sempre será excluída a parte referente à propaganda exclusivamente Teosófica, feita pela mesma Sociedade, merecedora não só do nosso respeito e fraternal amizade, como do de todos os Teósofos dignos desse nome, esparsos pelo mundo.
Por isso, dizemos: Um Maitreya-Buddha, manifestado na 5ª sub-raça da 5ª Raça-Mãe, em plena Kali-Yuga e… vestido “a la mode”, “interessando-se pelas melhores jogadoras de tênis inglesas”, dizendo muito menos do que disseram outros há milênios atrás, do que os livros sagrados – inclusive um Bhagavad-Gita, verdadeiro repositório de maravilhosas iniciações… e até, do que discípulos, como H. P. B., Roso de Luna e outros, é a prova mais concludente da verdade encerrada nas palavras de H. P. B., quando abandonou Adyar: “E comigo se vão os Mestres”. Sim, porque estes não podiam permitir um semelhante erro e até… profanação!!!
Alguém já nos retrucou certa vez com estas infantis palavras: “Do mesmo modo que Ele não pode ser o Instrutor, desse mesmo modo, poderá se-lo” – o que nos fez lembrar esta humorística pergunta: “Que é que pode ser, que não pode ser?…”
Desejamos crer que o gesto de J. Krishnamurti, dissolvendo a “Ordem da Estrela”, não fosse mais uma originalidade “pour épater les bourgeois” – mas, um ato todo espontâneo, oriundo da idade da razão que se aproxima – os 40 anos – e por isso mesmo, transformando “o aborto de Boddhisatva” em um “divino rebelde”, nas proximidades de equiparar-se a outros dignos desse incompreendido título!…
Para provarmos a discordância dos mestres de hoje com os Mestres de outrora, basta citar, que estes disseram a H. P. B.: “Só vos podemos dar o grau de ‘upasika’ nesta vida, por serdes mulher”. Como se sabe, ‘upasika’ quer dizer “discípulo do sexo feminino”. No entanto, os de hoje fizeram várias senhoras “arhats”. É o cúmulo!!!
O próprio Senhor Gotama recusou 2 vezes a Ananda o ingresso de mulheres na Ordem… O que Ele respondeu na terceira… todos o sabem…!
O papel da mulher, dizemos nós, é mui outro, aliás, digníssimo e de grandes responsabilidades, até que… deixe de haver “a separação dos sexos”, fato que se dará no fim da Ronda. Infelizmente, a Humanidade até hoje não soube decifrá-lo!!!
O sentimento que mais dignifica a mulher é a maternidade.
Quantas, no entanto, fogem desse elevado dever para com a Lei natural das cousas?!
“Les hommes superieurs, escreveu Michelet, sont tous, les fils de leur mère; ils en reproduisent l’empreinte morale aussi bien que les traits”. Efetivamente, é a mãe a melhor mestra, que a humanidade conhece e admira, para formar cidadãos dignos e cônscios dos seus deveres cívicos e esposas e filhas exemplares, que se não esquecerão nunca, de praticar os ensinamentos e exemplos daquela que lhes deu a vida e guiou os passos na adolescência.
O esplendor de Esparta foi uma consequência legítima do prestígio que gozavam ali as mulheres, as quais se conduziam tão patrioticamente como os homens, que lhes bebiam no seio o excelente alimento do corpo e do espírito.
Não queremos com isso dizer que a mulher não deva desenvolver o seu intelecto, e muito menos, quando o tempo lhe sobre, concorrer para “o despertar da consciência” dos seus irmãos em humanidade, abandonados à mercê das ondas tempestuosas da ignorância…!
O que não concordamos é justamente com essas contradições e até impossibilidades criadas pela “moderna escola besantista”.
Muitos dirão: “E por que vós, os ‘blavatskyanos’, a chamais de Mestra?”
Responderemos que não se trata de um título dado à sua personalidade (aliás, que poderia muito bem ser), mas como respeito Aos que por Ela deixaram tudo quanto de grandioso relembra a sua última trajetória pelo mundo. Ela não cessava de afirmar que não passava de “discípula”.
Ao contrário disso, é dar provas de nenhum conhecimento de Kabbalah…! Por isso mesmo, lembramos que a mulher representa a força 10 e o homem, 9. Impossível falar mais claro!…
Além disso, H. P. B. era mulher “in nomine”, ou melhor, assexuada, tal como se pode verificar pelo atestado que aqui transcrevemos de “Una Martir del siglo XIX” do erudito polígrafo Dr. Roso de Luna, atestado este, de um exame médico a que a mesma se sujeitou, como um dos muitos sacrifícios de sua vida, a fim de fazer calar as línguas ferinas dos que se transformaram em seus inimigos: “O abaixo assinado, segundo o pedido que lhe foi feito, certifica: que Mme. Blavatsky, de Bombay-New-York, secretaria correspondente da Sociedade Teosófica, é presentemente tratada pelo abaixo assinado. Ela sofre de Anteflexio-uteri, mui provavelmente desde o dia de seu nascimento, do mesmo modo, que passando por um exame minucioso, nunca teve filho nem sofreu de nenhuma moléstia de mulher (o grifo é nosso). – Dr. Léon Oppenhein, Würsbourg, 3 de novembro de 1885. Certidão da firma do Dr. Léon Oppenhein: O Médico real do distrito, Dr. médico Roeder. Würsbourg, 3 de novembro de 1885 – nós abaixo assinados, certificamos que esta é a tradução correta do original alemão que temos à nossa vista – Hübpe Schleiden; Franz Gebhard, Würsbourg, 4 de novembro de 1885”.
Se causa admiração o fato dos que a conheciam pessoalmente ou não, naquela época, dizerem mal da sua honra – quase todos católicos, protestantes e, mui principalmente, espíritas, sem falar nos Srs. Sábios – o que se dirá de pessoas que fizeram e fazem o mesmo, ou pior agora, como certo ilustre brasileiro que, defendendo o Catolicismo, escreveu artigos tremendos contra uma Senhora e… já desencarnada?!!
Isso faz-nos lembrar uma passagem da infância da mesma, onde um pequeno que a acompanhava, fez-lhes certas picardias e ela disse contrariada: “Tomara que as ondinas te peguem e te matem”. E na mesma hora: olha, olha, debaixo daquela árvore! Já vêm elas”. No dia seguinte, o pequeno tinha morrido afogado no lago.
Por uma simples coincidência, o seu difamador de hoje, indo fazer pescaria, acompanhado de um filho, cai da rocha onde se encontrava e… em poucos instantes, era tragado pelas ondas agitadas daquele dia. Todos conhecem esse fato por se tratar de um nome de destaque nas letras pátrias.
[10] Vide “Lettres des Maîtres de la Sagresse” (compiladas pelo Sr. C. Jinarajadasa com o título de “Les premiers enseignements des Maîtres”). uando pensaria o Sr. Jinarajadasa que, ao publicar as “cartas dos Mestres de Sabedoria” dava o “golpe de misericórdia” na S. T. de Adyar, por estas trazerem à luz as verdades fundamentais em completo desacordo com o que hoje “pontificam” os proceres da moderna escola “besantista-leadbeateriana”? Em qualquer ocasião, estamos prontos a mostrar todas essas contradições a quem se interessar pelo assunto.
[11] Os teósofos da verdadeira escola, dão a essa fusão, o nome de “mônadas ibero-africano-americanas”, pois aí se inclui todas as que vieram fundir-se na população autóctone sul-americana, isto é, o português e o espanhol, que por sua vez, são uma outra fusão ou mescla do árabe, do celtíbero, dos godos, etc. Daí, o chamar-se, quer aos brasileiros, quer aos argentinos, chilenos, peruanos, uruguaios, etc, etc, povos “ibero-americanos”.
[12] Manu (sânscrito) – Legislador. Este nome se deriva da raiz sânscrita man, pensar. Man é o sobrenome de Svayambhuva, o primerio Manu dimanante de Svayambhu (o que existe por si mesmo) e, portanto, o progenitor da humanidade, tal como o termo tupi – Tamandaré – e os demais assinalados nas lendas de todos os povos. “Lenda, é uma capa ou véu com que se encobre a verdade na sua pureza cristalina”, diz a todo instante, o íntegro teósofo Roso de Luna.
* Henrique José de Souza. Texto publicado originalmente em Dhâranâ.
Em 6 de dezembro de 2009 às 1:46 am, Nely disse:
Bijam
(link para este comentário)Em 22 de dezembro de 2009 às 11:30 am, Gábner Guimarães disse:
Queridos, muito bom texto, já o conhecia…
(link para este comentário)Mas está faltando a data do estudo feito pelo Professor.
Para o alto e avante!
Em 25 de dezembro de 2009 às 4:32 pm, admin disse:
Olá Gábner,
(link para este comentário)O artigo do Professor em destaque foi publicado, originalmente, nas edições nº 49, 50 e 51 de Dhâranâ, que correspondem aos meses de janeiro a março de 1930.
Em 4 de janeiro de 2010 às 4:26 pm, Simão Stwart disse:
Parece um pouco racista este texto… raças mais evoluídas (apenas observando a aparência física???), maxilar quadrado e testa larga denotam superioridade… aff!
(link para este comentário)Em 6 de janeiro de 2010 às 7:19 pm, admin disse:
Olá Simão,
(link para este comentário)Essa citação, na realidade, é um etnólogo americano, feita pelo Professor Henrique justamente para demonstrar que a academia americana, naquele momento, se preocupava com a identificação de um novo ramo racial a partir da miscigenação ocorrida na América do Norte. Naquela época, é preciso dizer, a pesquisa acadêmica, embasada por métodos científicos ainda emprestados do positivismo do século XIX, apontava para uma definição fenotípica de raças, ao invés de apegar-se a aspectos culturais. Este último enfoque, aliás, é precisamente o que enfatiza o Professor Henrique neste e em outros artigos, quando indica que, diferentemente de ensinamentos propagados por outras correntes teosófico-espiritualistas, a Eubiose entende raças não a partir de características fenotípicas mas de acordo com aspectos mentais e de estado de consciência. Nesse sentido, pouco importa se uma pessoa é negra, descendente de raças africanas, ou se é amarela, descendente de raças orientais, ou se é branca, caucasiana. A compreensão proposta para o termo “Raça”, aqui, é bastante distinta da que comumente associamos no âmbito do senso comum. A verdadeira Raça, à qual o artigo se refere, sempre aponta na direção do estado de consciência de cada uma dessas pessoas.
Em 13 de fevereiro de 2010 às 1:19 pm, sebastião waltemar de carvalho tavares disse:
Sou um leigo sobre esta sociedade, porém tenho muita curiosidade em conhece-la melhor. Sou cristão!
(link para este comentário)Em 13 de fevereiro de 2010 às 7:43 pm, admin disse:
Olá Sebastião,
(link para este comentário)Entre em contato com o administrador do departamento mais próximo para conhecer mais sobre a sociedade. É possível obter o telefone e o endereço de e-mail para contato na lista de “Departamentos próximos” no menu abaixo.
Em 25 de fevereiro de 2010 às 11:45 am, Julio Teixeira disse:
Parabéns pelo novo formato da página.
(link para este comentário)Quanto ao conteúdo, nem se discute.
LPD