Sociedade Brasileira de Eubiose

A esperaça da colheita reside na semente

O que são os Jinas?

Por que Jina e não Gina?

Certa vez indagaram-nos a razão por que preferimos dar à palavra derivada de Dzin a grafia Jina e não Gina, como se encontra em outros livros de teosofia.

Como se sabe, até o século XVI, o i tinha igualmente o duplo valor de vogal e consoante na dupla forma de i e j, (cuius, iudicium,etc), podendo mesmo encontrar-se nos textos arcaicos do português a grafia formij, ffuij, etc.

Do século XVI em diante, adotou-se a forma i para o valor vogal, e a forma mais alongada j para o valor consoante, segundo os ensinamentos do conhecido filólogo Carlos Pereira, que ao j denomina consoante fricativa, linguo-palatal, às vezes doce e, outras, chiante.

No estudo dos Metaplasmos, verificamos que, por consonantização, Hieronymum deu jerônimo; Hierusalem, Jerusalem; Hierarchia, Jerarquia, etc., firmando-se o j no alfabeto moderno de maneira a esclarecer algumas grafias de palavras como a de que tratamos no presente artigo.

O Sr. Comte Volney pondera, na sua obra intitulada L’alfabet européen aplique aux langues asiatiques, que na pronúncia dos sírios e de muitos outros árabes, a letra chamada Djim tem a particularidade de exprimir duas consoantes (o d e o j).

Nós não possuímos a letra Djim mas estamos certos de que, com a influência mourisca na península ibérica, ela se fazia sentir em determinadas palavras, docemente, qual fosse um “appoggio”, como se observa no dialeto de alguns caipiras sulistas do Brasil que pronunciam hodje em de “hoje”, djustiça por “justiça”, etc. E é interessante observar que o advérbio arcaico juso (para baixo), em nossa língua, proveio de deorsum, como se na sua pronunciação, hoje inusitada, aparecesse o “appoggio”mencionado, derivando-se primeiramente em djusum e, depois , em “juso”.

No egípcio, o j era a um tempo vogal e consoante. Giulio Farina, eminente egiptólogo, prescreve em sua gramática:

La massima libertá regna nella scrittura delle vocali-consonanti j ed w, le quali vengono tralasciate sai nelle desinenze grammaticali, sai nel corpo della radici.

Assim, grande liberdade há na leitura das seguintes palavras do idioma falado nas margens do Nilo: jr (rio), jmr (firmar-se), r’j (deus solar), j’r (túmulo). Aí aparece também jm (jim) que tanto vale “que está em”, “que é do”, como “aquele no qual está”.

Dessa elasticidade fonética nós nos aproveitamos para caracterizar bem a grafia “jina”, como aliás o é no espanhol, onde o j possui outro valor, inexiste em português: – o aspirado.

Mário Roso de Luna, de quem muito havemos falado e que por si só glorifica a civilização da Ibéria, entre outras publicou sua obra El libro que mata la muerte que ele mesmo secunda com o nome de El libro de los jinas, afim de ressaltar-lhe as relações supra sensíveis, literárias ou filosóficas.

Destarte, não só para diferenciar de Gina, que é nome de mulher, preferimos a grafia Jina para o substantivo, que é o caso do título de uma das obras de Roso de Luna, como também para o adjetivo: – cidade jina, povo jina, localidade jina, objeto jina, etc. etc.

Como já temos escrito em vários artigos anteriores. “Jina” é termo oriundo de Dzin ou daquilo que se ocupa das coisas primárias e das verdades eternas. Dzin ou Djin: conhecimento real, Djin-mi: Conhecimento irreal.

Djin é tronco de onde nasceram (além de Jina) Jnana, Dzian, Jean, Choan, Lohan, Grin, Gênio, e um sem número de vocábulos. Aladino ou a lâmpada maravilhosa, nome de portentoso conto ocultista, tem seu principal personagem ligado a esse étimo: Allah-djin, “o gênio de Deus”.

Os Boêmios, mais conhecidos hoje como dziganos (ciganos), haviam outrora por pátria a Dzingária: sua origem verdadeira remonta a épocas mais afastadas da História…

Jina é, pois, sinônimo aproximado de “milagroso” e, qualificando o substantivo homem, equivale a dizê-lo Mahatma, Sábio, etc. Por estas pequenas linhas, o leitor naturalmente não alimentará mais dúvidas a respeito da grafia como também da significação da palavra Jina, insubstituível em certas expressões mesmo exotéricas, de grande alcance subjetivo na interpretação de muitos textos orientais.

* I. B. I. Pitanga. Publicado originalmente em Dhâranâ.


6 Comentários
  1. Muito interessante

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  2. Saudações irmãos. Novamente aquele detalhe: qual Dhâranâ, caríssimo? Data? Abraços!

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  3. Prezado Gábner,
    A versão do site foi editada e republicada a partir do texto original, publicado na Revista Dhâranâ nº 106 (outubro-dezembro/1940, ano XV).

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  4. Grato.

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  5. Puxa!

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  6. nasci em são lourenço-sei que a minha cidade onde emana uma forte irradiação cosmico,por isso irei retornar ao meu berço onde nasci para desfrutar estas maravilhas ocultas. bene

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