Revista Dhârânâ

O que são Jinas?

Como já temos escrito em vários artigos anteriores. “Jina” é termo oriundo de Dzin ou daquilo que se ocupa das coisas primárias e das verdades eternas. Por que Jina e não Gina? Por I. B. I. Pitanga Certa vez indagaram-nos a razão por que preferimos dar à palavra derivada de Dzin a grafia Jina e não Gina, como […]

Publicado el 15/12/2020
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Como já temos escrito em vários artigos anteriores. “Jina” é termo oriundo de Dzin ou daquilo que se ocupa das coisas primárias e das verdades eternas.

**Por que Jina e não Gina?**

**Por *I. B. I. Pitanga***

Certa vez indagaram-nos a razão por que preferimos dar à palavra derivada de *Dzin* a grafia Jina e não Gina, como se encontra em outros livros de teosofia.

Como se sabe, até o século XVI, o *i* tinha igualmente o duplo valor de vogal e consoante na dupla forma de *i* e *j*, (*cuius*, *iudicium*,etc), podendo mesmo encontrar-se nos textos arcaicos do português a grafia *formij, ffuij,* etc.

Do século XVI em diante, adotou-se a forma *i* para o valor vogal, e a forma mais alongada *j* para o valor consoante, segundo os ensinamentos do conhecido filólogo Carlos Pereira, que ao *j*denomina consoante fricativa, linguo-palatal, às vezes doce e, outras, chiante.

No estudo dos Metaplasmos, verificamos que, por consonantização, Hieronymum deu jerônimo; Hierusalem, Jerusalem; Hierarchia, Jerarquia, etc., firmando-se o *j* no alfabeto moderno de maneira a esclarecer algumas grafias de palavras como a de que tratamos no presente artigo.

O Sr. Comte Volney pondera, na sua obra intitulada *L’alfabet européen aplique aux langues asiatiques*, que na pronúncia dos sírios e de muitos outros árabes, a letra chamada *Djim* tem a particularidade de exprimir duas consoantes (o *d* e o *j*).

Nós não possuímos a letra Djim mas estamos certos de que, com a influência mourisca na península ibérica, ela se fazia sentir em determinadas palavras, docemente, qual fosse um “appoggio”, como se observa no dialeto de alguns caipiras sulistas do Brasil que pronunciam *hodje*em de “hoje”, *djustiça* por “justiça”, etc. E é interessante observar que o advérbio arcaico *juso*(para baixo), em nossa língua, proveio de deorsum, como se na sua pronunciação, hoje inusitada, aparecesse o “appoggio”mencionado, derivando-se primeiramente em *djusum* e, depois , em “juso”.

No egípcio, o *j* era a um tempo vogal e consoante. Giulio Farina, eminente egiptólogo, prescreve em sua gramática:

*La massima libertá regna nella scrittura delle vocali-consonanti* j *ed* w*, le quali vengono tralasciate sai nelle desinenze grammaticali, sai nel corpo della radici.*

Assim, grande liberdade há na leitura das seguintes palavras do idioma falado nas margens do Nilo:*jr* (rio), *jmr* (firmar-se), *r’j* (deus solar), *j’r* (túmulo). Aí aparece também *jm* (jim) que tanto vale “*que está em*”, “*que é do*”, como “*aquele no qual está*”.

Dessa elasticidade fonética nós nos aproveitamos para caracterizar bem a grafia “jina”, como aliás o é no espanhol, onde o *j* possui outro valor, inexiste em português: – o aspirado.

Mário Roso de Luna, de quem muito havemos falado e que por si só glorifica a civilização da Ibéria, entre outras publicou sua obra *El libro que mata la muerte* que ele mesmo secunda com o nome de*El libro de los jinas*, afim de ressaltar-lhe as relações supra sensíveis, literárias ou filosóficas.

Destarte, não só para diferenciar de Gina, que é nome de mulher, preferimos a grafia Jina para o substantivo, que é o caso do título de uma das obras de Roso de Luna, como também para o adjetivo: – cidade jina, povo jina, localidade jina, objeto jina, etc. etc.

Como já temos escrito em vários artigos anteriores. “Jina” é termo oriundo de *Dzin* ou daquilo que se ocupa das coisas primárias e das verdades eternas. *Dzin* ou *Djin*: conhecimento real, *Djin-mi*: Conhecimento irreal.

*Djin* é tronco de onde nasceram (além de Jina) *Jnana*, *Dzian*, *Jean*, *Choan*, *Lohan*, *Grin*, *Gênio*, e um sem número de vocábulos. *Aladino ou a lâmpada maravilhosa*, nome de portentoso conto ocultista, tem seu principal personagem ligado a esse étimo: *Allah-djin*, “o gênio de Deus”.

Os Boêmios, mais conhecidos hoje como *dziganos* (ciganos), haviam outrora por pátria a Dzingária: sua origem verdadeira remonta a épocas mais afastadas da História…

Jina é, pois, sinônimo aproximado de “milagroso” e, qualificando o substantivo homem, equivale a dizê-lo Mahatma, Sábio, etc. Por estas pequenas linhas, o leitor naturalmente não alimentará mais dúvidas a respeito da grafia como também da significação da palavra *Jina*, insubstituível em certas expressões mesmo exotéricas, de grande alcance subjetivo na interpretação de muitos textos orientais.

*. Publicado originalmente em  **DHÂRANÂ Nº 106 – Outubro à Dezembro de 1940***

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